Lourosa, no concelho de Oliveira do Hospital, volta a recuar no tempo com a realização da 12.ª edição da Feira Moçárabe, que decorre este fim-de-semana junto à Igreja Moçárabe de São Pedro de Lourosa, monumento nacional com 1114 anos. Organizado pela Junta de Freguesia de Lourosa, o evento afirma-se como uma iniciativa única no país, evocando o período histórico em que cristãos, muçulmanos e judeus coexistiram neste território.
Ao longo de três dias, o recinto transforma-se num autêntico cenário medieval, com recriações históricas, animação itinerante, acampamento e jogos medievais, música, danças orientais, espetáculos de fogo, falcoaria, mostra de répteis, gastronomia de época e um mercado de artesanato e produtos locais.
À Rádio Boa Nova, o presidente da Junta de Freguesia de Lourosa, Américo Figueiredo, destacou a crescente dimensão do certame, considerando que “é uma feira que traz muita gente a Lourosa e leva o nome de Lourosa a muito lado”, afirmou, acrescentando que o número de expositores continua a aumentar de ano para ano.
Para o autarca, o sucesso da Feira Moçárabe está ligado ao seu caráter diferenciador. “É uma viagem no tempo”, resumiu, considerando tratar-se de uma iniciativa “única” na região e com projeção nacional. “Esta feira, ano após ano, envolve sempre mais pessoas. É bom para Lourosa, é bom para o concelho de Oliveira do Hospital”, referiu.
Américo Figueiredo destacou ainda a forte componente de animação e recriação histórica associada ao evento. “Temos cá muita animação, sexta, sábado e domingo”, afirmou, salientando que os espetáculos de fogo, a música e as diversas atividades têm atraído milhares de visitantes. “Desejamos ter aqui à noite duas mil a três mil pessoas”, disse.
O presidente da Junta recordou também que a feira nasceu na sequência das celebrações dos 1100 anos da Igreja de São Pedro de Lourosa. “Isto começou até por uma brincadeira, quando a Igreja Moçárabe fez 1100 anos. Depois começámos a levar a sério e saiu uma feira assim”, recordou. Considerando a igreja o grande símbolo da freguesia, Américo Figueiredo não escondeu o orgulho pelo património local. “Para mim é o maior orgulho”, afirmou, defendendo que a iniciativa deve continuar a crescer. “Peço a quem vier a ficar no meu lugar que nunca deixe acabar esta feira. Isto é a coisa melhor que nós já temos na nossa freguesia”, frisou.
Também o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, classificou a Feira Moçárabe como um “evento marca do concelho”, destacando a relevância histórica e patrimonial da Igreja de São Pedro de Lourosa. “Não é apenas um ícone da freguesia. Eu diria que é um dos ícones da arquitetura moçárabe a nível ibérico”, afirmou, lembrando que o monumento remonta a um período anterior à própria fundação de Portugal.
O autarca destacou a mensagem de diálogo e convivência associada ao evento. “Esta festa Moçárabe, que tem espaço aqui em Lourosa, pode simbolizar esta possibilidade de civilizações aparentemente opostas e diferentes poderem convergir”, referiu. Numa época marcada por conflitos internacionais, José Francisco Rolo considera que a iniciativa promove “o diálogo de civilizações” e “o diálogo inter-religioso”.
Além da vertente histórica, o presidente da Câmara salientou o valor cultural e turístico da feira. “É um evento diferente de todos os eventos que se fazem no concelho de Oliveira do Hospital”, afirmou, sublinhando que se realiza em torno de “um monumento único em Portugal e um dos poucos exemplares da arquitetura moçárabe na Península Ibérica”.
José Francisco Rolo elogiou ainda a persistência da Junta de Freguesia na organização do certame. “É simultaneamente uma forma de unir a comunidade de Lourosa e as várias localidades”, disse, acrescentando que a feira celebra “um momento ímpar na história de Portugal”, associado ao período da Reconquista e à formação da nacionalidade.
Com entrada gratuita, a Feira Moçárabe promete voltar a atrair milhares de visitantes a Lourosa, num fim-de-semana dedicado à história, à cultura e à celebração da diversidade que marcou este território ao longo dos séculos.
































