A passagem da depressão Kristin pela região de Coimbra provocou um cenário de elevada destruição nos 19 municípios, com especial incidência no litoral e na zona centro, como revelou aos jornalistas, esta manhã, Carlos Tavares, comandante sub-regional da Proteção Civil da Região de Coimbra.
“Conforme tínhamos previsto, a depressão Kristin entrou com violência, com um grau de destruição muito elevado na nossa região”, afirmou, destacando os concelhos do litoral como os mais afetados, nomeadamente Figueira da Foz, Mira e Cantanhede. Também Sor, Montemor-o-Velho, Condeixa-a-Nova, Penela, Miranda do Corvo e Coimbra registaram impactos significativos, assim como vários municípios do interior.
No total, estão contabilizados 19 municípios afetados. As principais ocorrências incluem árvores arrancadas, telhados destruídos, estruturas projetadas para as vias e múltiplos cortes de estradas, tanto principais como municipais. “O trabalho tem sido incansável nos 19 municípios e aquilo que estamos a fazer neste momento é repor a normalidade”, explicou o comandante, alertando que a recuperação total poderá demorar vários dias.
Citando dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a estação meteorológica do concelho de Soure registou rajadas de vento de 202 km/h, a velocidade mais elevada identificada na região. O vento estendeu-se até zonas do interior como Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Tábua, Arganil e Góis, onde, apesar de menor intensidade, também houve prejuízos, sobretudo em áreas de maior altitude.
O pico da tempestade ocorreu por volta das 5 da manhã. “Foi um episódio rápido, mas muito intenso”, sublinhou Carlos Tavares.
Apesar da severidade do fenómeno, não há registo de feridos nem de vítimas mortais. “Graças a Deus não há feridos a registar”, afirmou, elogiando o trabalho dos serviços municipais de proteção civil, dos bombeiros e de todos os agentes no terreno, tanto na prevenção como na resposta imediata.
As principais vias estruturantes começam gradualmente a ser repostas. Já é possível circular na A1, na A13 e em parte do IC2, embora ainda existam estradas condicionadas. No centro urbano de Coimbra, a situação é semelhante à de outros concelhos, com muitas árvores caídas e telhados danificados, mantendo-se várias vias ainda interrompidas.
Uma das maiores preocupações neste momento é a reposição do fornecimento de energia elétrica. “Há disrupções praticamente em todos os 19 municípios”, explicou o comandante, acrescentando que a E-Redes enfrenta dificuldades acrescidas porque muitos postes e infraestruturas caíram em zonas de mato e de difícil acesso. Os municípios estão a garantir, através de geradores, o funcionamento de estruturas essenciais como lares, sistemas de abastecimento de água e outros serviços críticos.
A prioridade, segundo a Proteção Civil, é agora a reposição gradual da normalidade.































