O Município de Oliveira do Hospital registou cerca de 50 ocorrências devido ao mau tempo, que causaram danos em escolas, estruturas e levaram ao realojamento de uma pessoa.
“A extensão dos danos é evidente e está espalhada por todo o concelho”, disse ontem à agência Lusa o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo.
Até por volta das 17h00 de quarta-feira (28), a depressão Kristin tinha produzido cerca de meia centena de ocorrências no município, que envolvem essencialmente “quedas de árvores na via pública e nos espaços escolares” e a “queda de postes de eletricidade”, apesar de a energia já ter sido reposta.
O mau tempo provocou também danos residenciais, tendo uma senhora na casa dos 70 anos de ser realojada, bem como prejuízos no setor agropecuário e numa empresa da zona industrial.
O autarca recordou que os estragos de ontem surgiram “na sequência de outras ocorrências” resultantes das depressões Ingrid e Joseph, e que levaram a prejuízos “entre os 700 e os 800 mil euros” em Oliveira do Hospital, por danos causados entre sexta e segunda-feira.
O presidente da autarquia deixou um apelo ao Governo para a “necessidade de acionar medidas financeiras de ajuda, em face da extensão dos prejuízos em equipamentos públicos”.
“Ainda não contabilizámos os custos [dos estragos de ontem], mas, em face da extensão dos prejuízos, quer em Oliveira do Hospital, quer na região de Coimbra, o Governo tem que acionar medidas de apoio financeiro aos municípios para fazer face à extensão destes danos”, reiterou.
“Nós tivemos os incêndios de verão, em agosto e em setembro, que afetaram gravemente o concelho de Oliveira do Hospital. Estávamos a recuperar ainda dos incêndios de verão e levamos agora com esta brutal tempestade”, vincou.
“Isto é desesperante”, asseverou.
Todo este contexto “mexe com a estrutura dos serviços, com a capacidade de resposta”, sendo agora prioridade da Câmara Municipal “dar segurança às pessoas, tranquilizar a população e salvaguardar o bem-estar e a segurança” de todos.
A depressão Kristin provocou quedas de árvores nas escolas, que levaram a destruição de mobiliário exterior e de vedações, tendo sido registado o desprendimento de chapas e de materiais de cobertura. Apesar dos estragos, e de as aulas terem estado suspensas, o autarca garantiu que havia condições para um regresso às aulas esta quinta-feira.
Além do estádio de Santo António, em Nogueira do Cravo, cujo talude de estabilização “também está fortemente afetado”, houve também danos em dois abrigos de animais e no setor agropecuário, com a destruição de estruturas ligadas à produção do queijo Serra da Estrela, assim como o desprendimento de chapas de cobertura numa empresa na zona industrial.
Não houve registo de estradas obstruídas, nem de feridos.
“A equipa do serviço municipal de Proteção Civil, com o apoio da Câmara Municipal, dos Bombeiros Voluntários, com a GNR, vai continuar a fazer o acompanhamento de toda a situação, identificando todos os danos”, informou.
Este “é um trabalho que ainda não está concluído”, disse, acrescentando que há preocupação com a condição meteorológica nos próximos dias.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados. Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
LUSA































