Um grande deslizamento de terras, ocorrido na manhã desta quinta-feira (29), na freguesia de Aldeia das Dez, no concelho de Oliveira do Hospital, está a gerar forte preocupação junto das autoridades locais e da Proteção Civil Municipal. A derrocada provocou o corte da estrada principal de acesso à localidade, a EM 508, e mantém a zona sob vigilância permanente devido ao risco de novos colapsos.
No local esteve o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, que, em declarações à Rádio Boa Nova, começou por apelar à serenidade da população: “queremos transmitir um ambiente de tranquilidade e dizer que as equipas da Proteção Civil, os funcionários da Câmara, a GNR, os bombeiros estão no terreno”. Ainda assim, o autarca reconheceu a gravidade da situação, explicando que a instabilidade do terreno é resultado da pressão da água acumulada na encosta e que obriga ao corte da estrada.
José Francisco Rolo adiantou estão a ser estudadas alternativas de circulação para garantir o acesso à aldeia, destacando os percursos possíveis por Vale de Maceira, Chão Sobral e Parente. Segundo explicou, o alerta foi dado logo pela manhã pela presidenta da Junta de Freguesia, Joana Alves, levando à mobilização de meios para o local. Porém, apesar dos esforços de desobstrução, “a via vai ficar cortada porque há risco de continuarem as derrocadas dos vários muros de sustentação”.
Para o autarca, esta é a situação mais delicada, sendo “aquela que inspira mais cuidados” dado o “risco de toda a encosta e todos aqueles muros virem por ali abaixo”.
De acordo com José Francisco Rolo, neste momento “não há habitações em risco”, mas o concelho concelho vive um cenário de elevada pressão devido à subida dos caudais dos rios. “Obviamente que nos preocupa o nível da subida das águas, quer no rio Alva, quer no rio Alvoco, e o risco de haver inundações”, frisou, alertando para a impossibilidade de controlar o nível da subida das águas”.
Agora a prioridade é “minorar os impactos e gerir a situação, porque de facto não para de chover”. Rolo mostrou ainda receio de que “todos estes muros venham por aqui abaixo e a enxurrada tenha impacto no talude que sustenta a estrada”.
Registadas 50 ocorrências no concelho
O autarca reportou ainda prejuízos materiais noutros pontos do concelho. “Ainda hoje me foi reportada a destruição de uma cobertura de um ovil na freguesia do Seixo da Beira e ontem um ovil em Vila Pouca da Beira também voou”, contou.
José Francisco Rolo classificou o momento como excecional do ponto de vista meteorológico. “Estamos a passar por um evento meteorológico extremo. Isto é sério”, referiu, apelando às pessoas para que tenham cuidados e protejam os seus bens”.
O autarca explicou ainda que a situação é agravada pelas consequências dos incêndios do verão passado. “Arderam as árvores, ardeu tudo aquilo que eram os arbustos que seguravam parte das águas e agora, de repente, chove sobre árvores despidas, a água arrasta terras e está a provocar estes danos todos”, sustentou.
Face à dimensão dos prejuízos, o presidente da Câmara já pediu intervenção do Governo, apelando a que “acione mecanismos de ajuda”.
































