Sábado, Julho 25, 2026
  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos
Rádio Boa Nova -  Oliveira do Hospital
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos
OUVIR EM DIRETO
No Result
View All Result
Rádio Boa Nova -  Oliveira do Hospital

Opinião: “Corrupção, o mais velho vírus devorador das democracias”

redacao por redacao
2 de Junho, 2023
em Opinião, Última Hora
Reading Time: 6 mins read
A A
Opinião: “Corrupção, o mais velho vírus devorador das democracias”
0
PARTILHAS
0
VISUALIZAÇÕES
PartilharTweetarEnviar

As alunas Mafalda Correia e Daniela Guímaro que, esta semana, venceram o Concurso Euroscola e vão representar Portugal no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, partilham na Rádio Boa Nova o texto que as conduziu à vitória.

Uma democracia plena assenta em princípios fundamentais e inalienáveis: separação efetiva de poderes, liberdade de expressão, multipartidarismo, Estado de Direito, eleições regulares justas, entre outros. As diversas instituições deste sistema político e a ação dos seus protagonistas devem ser transparentes e escrutináveis.

Hoje, temos a perceção de que a democracia atravessa uma crise grave, sendo a corrupção uma das principais causas (mas não a única) desta crise. Bem entendido, isso não significa que a corrupção seja um problema recente das democracias. Significa sobretudo que é um assunto prioritário da agenda dos media e até dos sistemas policial e judicial dos regimes democráticos, mas também – como, aliás, ocorreu no passado – se tornou uma bandeira agitada, por vezes de modo hiperbólico e demagógico, pelos movimentos “populistas” para descredibilizar as democracias.

De acordo com a Infopédia, a corrupção define-se pela «prática de ato lícito, ilícito ou de omissão contrária à lei ou aos deveres de determinado cargo, por parte de alguém que, no cumprimento das suas funções aceita receber uma vantagem indevida em troca da prestação de um serviço». Geralmente, esta prática está associada à obtenção ilegal de benefícios ou de gratificações avultadas por altos funcionários do Estado. Contudo, sabemos que a corrupção não está associada exclusivamente à política, ainda que seja neste meio onde se verifica com mais frequência.

As democracias de maior intensidade estão, hoje, a travar uma luta difícil pela sua sobrevivência. A título de exemplo, um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, intitulado Ética e integridade na política, publicado, em 2022, por Luís de Sousa e Susana Coroado, concluiu que, na União Europeia (UE), 54% dos inquiridos está satisfeito com a democracia e 34% revela confiança no Parlamento. Já em Portugal, estas percentagens diminuem, situando-se nos 41% e 36%, respetivamente.

Consultando o estudo editado no site da “Transparência Internacional”, que publicitou os Índices de Perceção da Corrupção no mundo relativos a 2021, verificamos que a Dinamarca e a Finlândia (estados da UE) surgem representados como os países menos corruptos. Nesse estudo, Portugal está classificado na 62.º posição, num universo de 182 países, porquanto a sua Estratégia Nacional de Combate à Corrupção apresenta falhas «por deixar de fora do seu âmbito os gabinetes dos principais órgãos políticos e de todos os órgãos de soberania e, também, o Banco de Portugal».

No intrincado sistema legislativo da União Europeia, a proteção contra fraude e a corrupção está vertida em diversas leis. A título de exemplo, podemos mencionar o artigo 325.º do Tratado do Funcionamento da UE (TFUE), que «estabelece a responsabilidade partilhada entre os Estados-Membros e a União na tomada de medidas na luta contra as fraudes lesivas dos interesses financeiros da União».

A transparência assume um papel de grande importância na operacionalização das políticas europeias, sendo essencial para a preservação das democracias no seio da união. A corrupção e o descrédito nos regimes democráticos varia na razão direta – o aumento da perceção da corrupção origina uma maior contestação e depreciação das democracias. Os cidadãos perdem confiança nos governos, nos membros dos parlamentos, nacionais e europeu, bem como nos partidos mais tradicionais, que estão associados às esferas do poder. (Não devemos dissociar desta relação causal as assimetrias sociais que crescem num mundo capitalista desregulado e também no interior dos países da UE).

Quem ganha com tudo isto são os chamados “partidos populistas”, que recorrem a discursos virulentos para denunciarem as contradições dos protagonistas das democracias, sem, contudo, apresentarem soluções credíveis para os problemas enunciados. Como aconteceu no passado não muito distante (nos anos 20 e 30 do século XX, com a ascensão dos movimentos fascistas), esses discursos ressentidos e repletos de ódio endrominam, hoje, a opinião pública e têm permitido que esses movimentos e os seus líderes aumentem perigosamente os seus resultados eleitorais. O crescimento destes partidos e a popularidade dos seus líderes constituem um revés, mas também um desafio para as democracias atuais.

Torna-se, portanto, imperativo que os governos assumam uma posição de combate à corrupção. É fulcral fazer um maior escrutínio à res publica e aos agentes políticos que nela intervêm. Por isso, a União Europeia implementou políticas mais rigorosas nesta matéria (citámos já o TFUE). Adotou ainda medidas antifraude, como o “Programa Hércules”, que pretende proteger o dinheiro dos cidadãos europeus, ou o “Programa Péricles”, que tenciona evitar a contrafação das moedas e notas Euro.

Mas o projeto europeu não é imune às fraudes. Recorde-se o recente escândalo ocorrido no Parlamento Europeu – conhecido como “Qatargate” – que envolveu a ex-vice presidente, Eva Kaili. Em todo o caso, não podemos ignorar a atuação que a UE adotou perante estas circunstâncias, demitindo imediatamente Kaili, que foi presa pela polícia belga, e aprimorando as suas políticas anticorrupção, para que casos como este não se repitam.

As instituições europeias estão unidas nesta luta, esforçando-se para cooperar e trabalhar na minimização da fraude e dos seus efeitos. A sua atuação passa pela criação de legislação que mitigue este problema e pelo controlo orçamental do Parlamento Europeu, bem como das suas finanças. Para tal, destacam-se os seguintes organismos: Organismo Europeu de Luta Antifraude, Comissão do Controlo Orçamental do Parlamento Europeu e o Tribunal de Contas Europeu.

A UE apresenta, de igual modo, um empenhado papel na sensibilização dos cidadãos europeus. Tal sensibilização centra-se na consciencialização de todos os cidadãos para o impacto do contrabando e da contrafação na economia europeia, de modo a detetar e prevenir a fraude.

Como sempre acontece nos países onde vigora a liberdade de expressão, também os media se têm revelado uma arma eficaz no combate à corrupção, tendo exposto muitos casos. Joseph Pulitzer, emigrante húngaro que se tornou cidadão americano, revolucionou o jornalismo e combateu a corrupção no The World, jornal que comprou e dirigiu, afirmou, na sua obra Sobre o Jornalismo, 1904, que «uma imprensa capaz, desinteressada e solidária […], contribuirá para a manutenção dessa virtude pública, sem a qual o Governo do povo é uma farsa e uma burla». “Virtude pública” é, para Pulitzer, uma República íntegra, considerando este autor que uma imprensa forte e independente terá maior capacidade para preservar a decência e integridade republicanas – argumento que nós subscrevemos e alargamos a todos os regimes democráticos.

Em última análise, os cidadãos são sempre os mais lesados, as maiores vítimas. De acordo com os últimos estudos, em Portugal, a corrupção corresponde a, aproximadamente, 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o que se traduz num prejuízo de cerca de 20 mil milhões de euros. Certamente, será consensual afirmar que este montante avultado poderia ser investido em prol do bem-comum, por exemplo nas áreas da saúde, educação, habitação ou infraestruturas.

Anualmente, no conjunto da UE, os custos associados à corrupção rondam os 904 mil milhões de euros. Os valores mais baixos pertencem aos Países Baixos (0,76% do PIB), à Dinamarca e ao Luxemburgo (ambos com 2% do PIB). Estas despesas são agravadas em países como a Roménia, que lidera os gastos associados à corrupção, correspondentes a 15.6% do PIB. Em seguida, encontra-se a Grécia (14% do PIB), a Itália (13% do PIB) e a França (6% do PIB) (valores facultados e atualizados, em 2018, num relatório do grupo parlamentar europeu dos Verdes/Aliança Livre Europeia).

O combate à corrupção deve ser um desígnio prioritário, persistente e inelutável das democracias, porque é um dos principais fatores da sua erosão. Compreendemos que não existem democracias perfeitas. E também sabemos que os homens e as mulheres não são imaculados e por isso não podem edificar utopias celestiais. Não procuramos governos de anjos! Procuramos governos – dotados de algum idealismo e genuinamente dedicados à causa da res publica – que nunca desistam de aperfeiçoar o imperfeito sistema democrático (que, como afirmou W. Churchill, «é a pior forma de governo, excetuando todos os outros»). Afinal, queremos que os protagonistas desses governos respeitem a audaciosa frase que declaram, perante os seus governados, no momento solene da sua tomada de posse: «juro cumprir com lealdade as funções que me são confiadas».

Daniela Guímaro, 11.ºA
Mafalda Correia, 11.ºC

Opinião: "Corrupção, o mais velho vírus devorador das democracias"
redacao

redacao

Leia também

MP acusa antigo funcionário dos BV de Tábua por desvio de verbas
Informação

Benemérito garante financiamento da campanha dos Bombeiros Voluntários de Tábua

25 de Julho, 2026
Carrinha entra em despiste por “falta de travões” e incendeia-se na Bobadela
Destaque

Carrinha entra em despiste por “falta de travões” e incendeia-se na Bobadela

24 de Julho, 2026
CISE organiza Passeio Interpretativo às Penhas Douradas
Informação

Município de Seia organiza passeio expedicionário à Serra da Estrela inspirado na expedição científica de 1881

24 de Julho, 2026
PCP questiona Governo sobre alegada poluição no Rio Cobral
Informação

PCP questiona Governo sobre alegada poluição no Rio Cobral

24 de Julho, 2026
Troço do IP3 entre os nós de Penacova e Miro reabre na sexta-feira
Informação

Reaberto o IP3 no sentido Viseu-Coimbra após derrame de resina

23 de Julho, 2026
Incêndio em Lagares da Beira entrou em fase de conclusão
Informação

Seia: Incêndio em Paranhos mobilizou 180 operacionais e oito meios aéreos

23 de Julho, 2026
Seia assinala os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela com exposição de Alberto Martinho e tertúlia
Informação

Seia assinala os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela com exposição de Alberto Martinho e tertúlia

23 de Julho, 2026
APA garante que Mondego está sem sinais de contaminação após derrame de resina no IP3
Informação

APA garante que Mondego está sem sinais de contaminação após derrame de resina no IP3

23 de Julho, 2026
EXPOH: Cinco dias de “felicidade de Oliveira do Hospital para toda a região de Coimbra”
Destaque

EXPOH: Cinco dias de “felicidade de Oliveira do Hospital para toda a região de Coimbra”

22 de Julho, 2026
Carregar Mais
Seguinte
GAL ADIBER abre concursos para candidaturas na Região da Beira Serra, no âmbito do PDR2020

GAL ADIBER abre concursos para candidaturas na Região da Beira Serra, no âmbito do PDR2020

Teatro do Montemuro Dinamiza ”Oficina de Atores” em Meruge

Teatro do Montemuro Dinamiza ”Oficina de Atores” em Meruge

EXPOH – A não perder entre 22 e 26 de julho

Este é um conselho a levar em conta

https://radioboanova.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/APDSE-carrocel.mp4

Os Nossos PODCAST

Pub

15ª Edição “A Escola e o meio”

Opinião

Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho
Opinião

Futurologia e tirania

por redacao
31 de Janeiro, 2026
0

«Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro»George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e quatro, 1949...

Ler maisDetails
Morreu o Sr. Costa: voluntário e amigo, um homem sempre presente na comunidade

Agradecimento público

6 de Janeiro, 2026
Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

27 de Dezembro, 2025
A Amiga Natália

A Amiga Natália

14 de Dezembro, 2025

Um projeto para moldar o futuro digital da Europa

Super Pista: oiça aqui o Podcast dos programas

As mais recentes

MP acusa antigo funcionário dos BV de Tábua por desvio de verbas

Benemérito garante financiamento da campanha dos Bombeiros Voluntários de Tábua

25 de Julho, 2026
Carrinha entra em despiste por “falta de travões” e incendeia-se na Bobadela

Carrinha entra em despiste por “falta de travões” e incendeia-se na Bobadela

24 de Julho, 2026
CISE organiza Passeio Interpretativo às Penhas Douradas

Município de Seia organiza passeio expedicionário à Serra da Estrela inspirado na expedição científica de 1881

24 de Julho, 2026
PCP questiona Governo sobre alegada poluição no Rio Cobral

PCP questiona Governo sobre alegada poluição no Rio Cobral

24 de Julho, 2026
Troço do IP3 entre os nós de Penacova e Miro reabre na sexta-feira

Reaberto o IP3 no sentido Viseu-Coimbra após derrame de resina

23 de Julho, 2026
Incêndio em Lagares da Beira entrou em fase de conclusão

Seia: Incêndio em Paranhos mobilizou 180 operacionais e oito meios aéreos

23 de Julho, 2026

Os nossos livros


COOPERATIVA RÁDIO BOA NOVA, CRL
Av. Calouste Gulbenkian, s/n
3400-060 Oliveira do Hospital
IBAN-PT50 0045 3380 40167960882 18

Telf/ 238605200/2/3/4/5-Fax/ 238605201  “chamada da rede fixa nacional”
E-mail:  radioboanova1002@gmail.com

Site:  radioboanova.sapo.pt

NIF – 501 843 019

N.º Registo na ERC: 423098

CAE: 60100   /  SIC: 4832

ANACOM:
N.º Licença Serviço de Radiodifusão – 20370
Serviço Fixo  : 505018
Registo INPI N.º 643805

  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design

No Result
View All Result
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design