Instalada a polémica em torno da instalação de um parque fotovoltaico no vale do Alva, no concelho de Oliveira do Hospital, a Sonae Arauco vem agora esclarecer o projeto. A empresa instalada em Oliveira do Hospital sublinha que “não é um parque”. “Convém identificar o tema”, sublinhou José António Silva, em conferência de imprensa. Segundo o Plant Manager da Sonae Arauco, “trata-se de uma UPAC – Unidade de Produção para Autoconsumo” que irá ocupar 16 hectares naquela zona do concelho, contudo, dessa área total, apenas “cerca de 25 por cento irá ter painéis”, o que corresponde a quatro hectares.


Numa sessão, que teve como objetivo “mostrar os investimentos que a Sonae está a fazer” e dar conta do “investimento de 40 milhões de euros em 2025” nesta unidade de Oliveira do Hospital, os responsáveis adiantaram que o projeto da UPAC “já tem muitos meses” e que “o início do processo de procura de terrenos tem anos”. José António Silva adiantou que, depois de muita procura, só o vale do Alva cumpria os “três critérios necessários”. Em primeiro lugar, “a dimensão”, em segundo “a disposição solar” e, em terceiro, “tinha que ficar perto da unidade, porque o custo do transporte de energia tem um impacto importante nas contas do projeto”.
De acordo com o responsável, a empresa está “a correr contra o tempo” pois “é um projeto PRR e tem que estar terminado em dezembro de 2025”.
“Se me pergunta: existiam outros terrenos? Sim. Terrenos com 10 herdeiros, com 12 herdeiros, com quatro donos, em que cada um era dono de um hectare, e que nós tínhamos que estar a discutir com seis pessoas ou mais. Já tivemos esse caso e depois eles não chegavam a acordo”. José António Silva garante, por isso, que “somando isso tudo, a única opção que se encontrou foi aquela área no vale do Alva” mas que, mesmo assim, a empresa “tudo fez para minimizar o impacto paisagístico”.
Empresa adianta “plano de integração paisagística”: zona da UPAC incluirá faixas de plantação de espécies naturais da área
Situação também exposta por Abílio Guimarães, responsável pela área da energia do grupo. “Nós andamos nisto há praticamente três anos. Explorámos vários terrenos, mas não encontrámos outras possibilidades em termos das nossas exigências energéticas e também das obrigatoriedades que assumimos perante as entidades de descarbonização, de recurso a tecnologias de fontes renováveis”, explicou. Abílio Guimarães também garante que a fábrica “tentou minimizar impactos desde o início do projeto para a questão paisagística”. Nesse sentido, tem “assumido publicamente” que “associado ao projeto” da UPAC há “um plano de integração paisagística, estando prevista a instalação de faixas de três a cinco metros com a plantação de espécies naturais da área”, nomeadamente “árvores folhosas”. “Hoje, o que lá existe são mimosas. Foi um terreno que ardeu e será limpo, será mantido e será arborizado com este plano de intervenção”.
A Sonae Arauco anunciou também um projeto de reflorestação e recuperação de áreas ardidas, nomeadamente na zona do Vale de Maceira, em Aldeia das Dez. A proposta de arrendamento e intervenção inclui o controlo de espécies invasoras, a redução do risco de incêndios, a gestão do pinhal existente, a recuperação de linhas de água e a plantação de árvores folhosas. A empresa está ainda em negociações para expandir a sua intervenção de recuperação florestal até uma zona de cerca de 50 hectares, na freguesia de São Gião.
Sonae confirma que Município “alertou que seria conveniente fazer alterações”
Aos jornalistas, o Plant Manager da Sonae Arauco confirmou que, ainda que não fosse “falado” nada acerca de um possível “cadernos de encargos”, a Câmara Municipal, após apresentação do projeto inicial, “alertou que seria conveniente fazer várias alterações”. A empresa desde logo “acedeu a essas preocupações” e acabou por reduzir a área e, consequentemente, o impacto.
Abílio Guimarães referiu que o projeto foi “validado” pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Direção Geral de Energia. “São as três entidades que tinham de licenciar e validar o projeto. Só depois disso é que entrou na Câmara Municipal”, explicou, adiantando que foram havendo “várias interações no sentido de minimizar o impacto”. “Somos sensíveis a esse facto”, frisou.
O responsável pela área da energia da empresa fez questão de sublinhar que “esta tipologia de processos está claramente definida na lei, na legislação”. “Em ponto algum na lei é definido que temos de pedir um caderno de encargos à Câmara Municipal. Qualquer Câmara Municipal não terá argumentos legais e processuais para exigir qualquer tipo de contrapartida”, explicou.
“Há por aí alguma desinformação da opinião pública e alguma manipulação”
Confrontado pela comunicação social sobre especulações que têm surgido em torno deste assunto, Abílio Guimarães considerou que “há por aí alguma desinformação da opinião pública e alguma manipulação”. “O Estado português vem exatamente no sentido de respeitar aquilo que são as diretivas europeias para investimento em energias renováveis e todos estes processos estão claramente definidos”, referiu.
Questionado sobre a possibilidade de colocar painéis nos telhados da estrutura da fábrica, o responsável explicou que a empresa “não conseguiria, mesmo assim, satisfazer as necessidades em termos energéticos” comparativamente com a futura Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC). Para além do mais, “os painéis estão a crescer em altura” e alguns telhados “não têm condições técnicas” para tal. Os responsáveis assumem que todas as alternativas são consideradas. “E se houver alguma possibilidade ainda de minimizarmos os impactos, certamente que será considerada”, acrescentou.
Abílio sublinhou que “não há necessidade de fazer crescer o parque, porque foi dimensionado para as necessidades energéticas atuais e futuras da fábrica”. “Portanto, eventuais soluções de redução da área, de colocação em telhados, de mudança de tecnologia que nos permita melhor aproveitamento, serão sempre feitas naquele espaço e terão impactos naquele espaço. Quando digo impactos, uma eventual redução se for possível”, adiantou.
50 milhões de euros investidos em Oliveira do Hospital
“O foco deste encontro foi dar conta dos 40 milhões de euros de investimento da Sonae Arauco em Oliveira do Hospital neste ano de 2025, que faz com que esta unidade seja uma referência na produção de painéis de aglomerado a nível mundial. Queremos aumentar a sua competitividade”, concluiu José António Silva, adiantando que até 2026 o valor deverá chegar aos 50 milhões, com projetos nas áreas da economia circular, descarbonização e eficiência operacional, reflorestação e recuperação de zonas afetadas por incêndios.
Ao nível da eficiência operacional, o grupo está a investir em dois novos armazéns que vão permitir reforçar a competitividade da empresa. No que respeita à economia circular, além de um investimento recente na criação de uma nova uma linha de pré-triturado, que permite aumentar a capacidade de incorporação de madeira reciclada, com o objetivo de chegar aos 85% em 2026, a empresa está ainda a estudar o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora para separar o MDF da estilha reciclada rececionada na fábrica.
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