O representante da CDU no programa Vice-Versa da Rádio Boa Nova verificou, na passada terça-feira à noite, que “em Oliveira do Hospital e nas câmaras do Partido Socialista há uma tradição de grande subserviência em relação” ao grupo Sonae, que considera ser “o grupo económico dos senhores que mandam nisto tudo”. Para João Dinis, o atual executivo municipal “cedeu” aos interesses da empresa relativamente à já aprovada instalação do parque fotovoltaico no Vale do Alva”.
“Essa é que é a razão. E não é nada corajoso ceder aos interesses, às vozes dos senhores que mandam nisto”, observou o comentador, considerando que “corajoso era encontrar com eles alternativas”. “E se eles não aceitassem alternativas ao Vale do Alva, que fossem montar o painel fotovoltaico para o Terreiro do Paço ou lá para Mangualde, não fazia cá falta nenhuma, porque aquilo que seja bom para esse grande grupo económico, não é automaticamente bom para o Município de Oliveira do Hospital”, considerou.
João Dinis não tem dúvida de que houve “uma cedência da parte da Câmara Municipal”, situação que lamenta comparando àquilo que se verifica em Vila Franca da Beira. “Na minha terra, que é uma terra tradicionalmente de pastores, os pastores veem-se à rasca para construir um curral”, comentou, notando que em contraponto para o Vale do Alva está prevista a instalação de “nove mil e tal painéis”. “Nós tínhamos alternativas. Era isso que era preciso encontrar com este grande grupo económico que, ainda por cima, é uma multinacional”, verificou o porta-voz da CDU no concelho de Oliveira do Hospital, questionando ainda “onde é que paga impostos”.
João Dinis não perdeu também a oportunidade para sublinhar que “esta grande fábrica tem crescido desmesuradamente” e “é uma ofensa aos direitos da população de São Paio de Gramaços e atenta violentamente contra a qualidade de vida das pessoas”. Para além que questionar se a unidade não teria capacidade de acolher as ilhas de painéis fotovoltaicos, João Dinis sugeriu a possibilidade de futura central de produção de energia que está prevista para a zona industrial poder servir, também, a Sonae numa “convergência do interesse público com o interesse privado”.