Quinta-feira, Janeiro 29, 2026
  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos
Rádio Boa Nova
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos
OUVIR EM DIRETO
No Result
View All Result
Rádio Boa Nova

Opinião: “O eterno retorno do fascismo”

redacao por redacao
7 de Fevereiro, 2021
em Opinião, Última Hora
Reading Time: 5 mins read
A A
Tertúlia “não tem objetivo de comemorar Fátima, mas de debater Fátima”  
0
PARTILHAS
0
VISUALIZAÇÕES
PartilharTweetarEnviar

A Rádio Boa Nova dá hoje início à publicação de artigos da autoria de Luís Filipe Torgal, professor de História do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, investigador e colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), autor de vários livros e artigos científicos ou de intervenção cívica e conferencista.

“O eterno retorno do fascismo”

“O Partido Nacional Fascista (PNF) nasceu em Itália, em 1921, num cenário de forte crise económico-social que flagelou a Europa logo após a I Guerra Mundial (1914-18). Tencionou derrubar um demoliberalismo despojado de preocupações sociais e exterminar as correntes socialistas e comunistas que aspiravam propagar a revolução marxista ao Ocidente. Para cumprirem o seu desígnio, Mussolini e os seus correligionários engendraram uma nova ideologia escorada em princípios fundamentais: culto a um chefe carismático, corporativismo estatal, imperialismo, nacionalismo exacerbado, retorno ao «destino glorioso de Roma», anticomunismo, antiparlamentarismo, liturgia militarista, suspensão das liberdades individuais, autarcia e antiliberalismo (mas não anticapitalismo). Com esta cartilha e uma eficaz retórica demagógica, os fascistas seduziram as classes sociais intermédias, os desempregados, os desmobilizados da guerra, mas também as oligarquias dominantes. E mobilizaram socialistas arrependidos, anarcossindicalistas, republicanos conservadores e presidencialistas, católicos corporativos, monárquicos integralistas e intelectuais modernistas.

O corpo paramilitar dos «Camisas Negras» (símbolo do luto de uma Itália decadente, naufragada no desemprego e na miséria) foi usado pelo PNF como arma para a conquista do poder. Arregimentou as turbas, lançou o terror nas oposições democráticas, socialistas e comunistas, assassinou adversários políticos e coagiu o rei, Vítor Manuel III, a ofertar o cargo de primeiro-ministro a Mussolini, em 1922. Este e os seus sequazes banalizaram o crime, a violência, a fraude e utilizaram a propaganda, para, rapidamente, fortalecerem o seu poder e entronizarem «il Duce» (condutor supremo) como senhor absoluto da Itália.

O fascismo apadrinhado pelo «duce» Mussolini inspirou-se em autores tão variados como Hegel, Nietzsche, Geovanni Gentile, Bergson, Baden Powell, Wagner, Maurras, Sorel, Barrès, Gobineau, Wilhelm Marr, Leão XIII, Pio X, Ratzel, Comte, Gustave Le Bon, Maquiavel, Francesco Ercole, D`Annunzio ou Marinetti. Esta multiplicidade de autores e ideias tornou o fascismo uma ideologia confusa e paradoxal, embrulhada em doses abundantes de retórica agressiva, encenação histriónica e pragmatismo político. O «duce» era ateu, mas assinou uma Concordata com a Igreja Católica que lhe permitiu beneficiar da bênção e colaboração do papa Pio XI e da maioria dos bispos, que chegaram a venerá-lo como líder providencial. Anunciou uma nova ordem revolucionária, mas foi financiado pelos proprietários rurais mais conservadores e contrarrevolucionários. Era republicano, mas encarnou o papel de déspota e condottiere de uma monarquia e, na fase decrescente do regime fascista, quando Mussolini se tornou um fantoche do nazismo, numa «república social» centrada em Salò, Lombardia (1943). Idolatrou a estética Futurista e os seus mentores Filippo Marinetti e Gabriele D`Annunzio, que teriam sido tachados como «arte e artistas degenerados» pelo nazismo. Incluiu correligionários judeus no seu partido, e teve até uma amante judia, mas acabou por abraçar o preconceito ignóbil do antissemitismo.

O fascismo fragmentou-se em matizes diferenciadas, em função da latitude e da cultura onde surgiram (Alemanha, Áustria, Portugal, Espanha, Hungria, Roménia…). Tantas foram as suas especificidades nacionais que alguns autores sustentaram que só o regime italiano comandado por Mussolini pode ser classificado como Fascismo. Outros autores reconheceram a existência de um fascismo genérico, em que as variantes nacionais encontram uma espécie de arquétipo comum no regime de Mussolini. Deste ponto de vista, consideraram, por exemplo, que o Estado Novo de Salazar foi um «fascismo sem movimento fascista» ou um «fascismo à portuguesa» ou ainda um «fascismo de cátedra» (cito apenas Manuel de Lucena, Eduardo Lourenço, Luís Reis Torgal, Fernando Rosas ou Miguel de Unamuno).

Entretanto, têm sido vários os autores que alertam para o perigo do eterno retorno do fascismo ou então para a existência de um «pós-fascismo».

Convocando alguns dos argumentos atrás citados, Umberto Eco considerou que o fascismo histórico italiano «não foi uma ideologia monolítica, mas antes uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas», que resultou numa «confusão estruturada». Daí progrediu para a proposta de uma definição não canónica, elástica, multiforme, contemporânea e imperecível de fascismo. Chamou-lhe «fascismo eterno» (ou «ur-fascismo») — uma corrente autoritária que não se esgotou no fenómeno histórico datado dos anos 20 a 40 do século XX e que se camuflou com outras roupagens: culto da tradição, recusa da modernidade, irracionalismo, intolerância, medo da diferença, apelo ao sentimento de frustração, nacionalismo retórico, necessidade da existência de um inimigo, culto da violência, elitismo, fabricação de um herói redentor, repressão sexual, populismo, hostilidade à cultura e à ciência (Umberto Eco, Il fascismo eterno, 1995).

Ora, muitos dos chefes populistas atuais e dos seus movimentos, partidos ou regimes obedecem a vários destes preceitos. Mais: em muitos casos, estes movimentos optaram por mistificar a realidade histórica, quando afiançam que a «extrema-esquerda comunista» regressou, hoje, com o mesmo vigor que revelou nos anos 20 e 30 do século passado, para monopolizar a política, a cultura e a educação, estatizar e coletivizar a economia e até decretar uma nova «ditadura do proletariado». Quem assim opera e agrega várias das características elencadas por Umberto Eco é também o tronco populista radical português chefiado por André Ventura. Como são mestres na arte da mentira e da manipulação, estes chefes negam qualquer proximidade com o fascismo (que, aliás, não é consentido pelo artigo 46.º da nossa Constituição, nem por outras Constituições de países democráticos). Contudo, transportam no seu corpo o vírus dessa «peste», que, em épocas de maior tragédia humana, instilam nas massas de indignados, desesperados, deserdados, ignaros, alienados e arrivistas. As tais massas, ressentidas, resignadas ou revoltadas, que vivem, hoje, submersas no mundo alternativo das redes sociais, absortas no consumismo desenfreado, embrenhadas no espetáculo dos media e da política e são manipuladas pela mercantilização e precarização do jornalismo. Dito isto, impõe-se colocar a todos nós uma premente questão: quem está disposto a superar a sua circunstância, contraditar o mundo onde vegetam essas massas e combater por uma democracia mais transparente, culta, participativa e inclusiva?”

Luís Filipe Torgal*

*Luís Filipe Leitão Rodrigues dos Reis Torgal, CC n.º 7797056, professor de História do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Mestre em História Económica e Social Contemporânea e doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra. Investigador colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20). Autor dos livros O sol bailou ao meio-dia. A criação de Fátima (2015), Tomás da Fonseca. Missionário do povo (2016), Fátima. A (des)construção do mito (2017). Organizou e prefaciou a reedição do livro de Tomás da Fonseca Na Cova dos Leões. Fátima: Cartas ao cardeal Cerejeira e uma antologia da obra do mesmo autor, intitulada Religião, República, Educação. Colaborou nas obras História de Portugal em Datas, História Comparada – Portugal, Europa e o Mundo, Dicionário Biográfico Parlamentar (1935-74) e Dicionário de História da I República e do Republicanismo. Publicou, em coautoria, o livro Machado Santos (1875-1921) – O intransigente da República. Proferiu conferências em Portugal e no Brasil. É autor de diversos artigos científicos ou de intervenção cívica publicados em blogues, revistas e jornais locais, regionais, nacionais e estrangeiros.

redacao

redacao

Leia também

Governo declara estado de calamidade e estuda financiamento para reconstrução das zonas afetadas
Informação

Governo declara estado de calamidade e estuda financiamento para reconstrução das zonas afetadas

29 de Janeiro, 2026
Chuva intensa obriga ao corte de estradas e ao encerramento preventivo do Sub-Paço em Arganil
Informação

Chuva intensa obriga ao corte de estradas e ao encerramento preventivo do Sub-Paço em Arganil

29 de Janeiro, 2026
Grande derrocada corta estrada de acesso a Aldeia das Dez e mobiliza Proteção Civil em Oliveira do Hospital
Informação

Grande derrocada corta estrada de acesso a Aldeia das Dez e mobiliza Proteção Civil em Oliveira do Hospital

29 de Janeiro, 2026
Região Metropolitana de Coimbra pede apoio urgente ao Governo após estragos da depressão Kristin
Informação

Região Metropolitana de Coimbra pede apoio urgente ao Governo após estragos da depressão Kristin

29 de Janeiro, 2026
Oliveira do Hospital com 50 ocorrências devido ao mau tempo. Uma pessoa ficou desalojada
Informação

Oliveira do Hospital com 50 ocorrências devido ao mau tempo. Uma pessoa ficou desalojada

29 de Janeiro, 2026
Homem detido por abusar sexualmente da filha menor na Figueira da Foz
Informação

Detido na Guarda por violar adolescente

28 de Janeiro, 2026
Tábua recebe projeto piloto de recolha de biorresíduos
Destaque

Tábua recebe projeto piloto de recolha de biorresíduos

28 de Janeiro, 2026
10 detenções, 802 infrações e 61 acidentes no distrito de Coimbra
Informação

Coimbra: Detido por tráfico de estupefacientes

28 de Janeiro, 2026
Bombeiros de Oliveira do Hospital e Tábua mobilizados em vários pontos do distrito de Coimbra após a tempestade
Destaque

Bombeiros de Oliveira do Hospital e Tábua mobilizados em vários pontos do distrito de Coimbra após a tempestade

29 de Janeiro, 2026
Carregar Mais
Seguinte
Covid-19: Região Centro aumenta número de vagas em enfermaria e cuidados intensivos

Covid-19: Portugal com mais 204 mortos e mais 3.508 infetados

FCOH vence Condeixa e sobe ao 2º lugar da classificação

FCOH vence Condeixa e sobe ao 2º lugar da classificação

DESCARREGUE A NOSSA APP

Os Nossos PODCAST

As nossas rubricas

original

15ª Edição “A Escola e o meio”

Opinião

Morreu o Sr. Costa: voluntário e amigo, um homem sempre presente na comunidade
Última Hora

Agradecimento público

por redacao
6 de Janeiro, 2026
0

Os afilhados de António da Costa (Sr. Costa), em nome de sua esposa D. Bé e de sua irmã D....

Ler maisDetails
Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

27 de Dezembro, 2025
A Amiga Natália

A Amiga Natália

14 de Dezembro, 2025
Opinião: Os medianos desaparecerão. Os melhores terão sucesso

Opinião: Carlos Andrade, um exemplo de vida

21 de Novembro, 2025

Um projeto para moldar o futuro digital da Europa

Super Pista: oiça aqui o Podcast dos programas

As mais recentes

Governo declara estado de calamidade e estuda financiamento para reconstrução das zonas afetadas

Governo declara estado de calamidade e estuda financiamento para reconstrução das zonas afetadas

29 de Janeiro, 2026
Chuva intensa obriga ao corte de estradas e ao encerramento preventivo do Sub-Paço em Arganil

Chuva intensa obriga ao corte de estradas e ao encerramento preventivo do Sub-Paço em Arganil

29 de Janeiro, 2026
Grande derrocada corta estrada de acesso a Aldeia das Dez e mobiliza Proteção Civil em Oliveira do Hospital

Grande derrocada corta estrada de acesso a Aldeia das Dez e mobiliza Proteção Civil em Oliveira do Hospital

29 de Janeiro, 2026
Região Metropolitana de Coimbra pede apoio urgente ao Governo após estragos da depressão Kristin

Região Metropolitana de Coimbra pede apoio urgente ao Governo após estragos da depressão Kristin

29 de Janeiro, 2026
Oliveira do Hospital com 50 ocorrências devido ao mau tempo. Uma pessoa ficou desalojada

Oliveira do Hospital com 50 ocorrências devido ao mau tempo. Uma pessoa ficou desalojada

29 de Janeiro, 2026
Tábua recebe projeto piloto de recolha de biorresíduos

Tábua recebe projeto piloto de recolha de biorresíduos

28 de Janeiro, 2026

Pub

Os nossos livros


COOPERATIVA RÁDIO BOA NOVA, CRL
Av. Calouste Gulbenkian, s/n
3400-060 Oliveira do Hospital
IBAN-PT50 0045 3380 40167960882 18

Telf/ 238605200/2/3/4/5-Fax/ 238605201  “chamada da rede fixa nacional”
E-mail:  radioboanova1002@gmail.com

Site:  radioboanova.sapo.pt

NIF – 501 843 019

N.º Registo na ERC: 423098

CAE: 60100   /  SIC: 4832

ANACOM:
N.º Licença Serviço de Radiodifusão – 20370
Serviço Fixo  : 505018
Registo INPI N.º 643805

  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design

No Result
View All Result
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design