Quarta-feira, Julho 22, 2026
  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos
Rádio Boa Nova -  Oliveira do Hospital
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos
OUVIR EM DIRETO
No Result
View All Result
Rádio Boa Nova -  Oliveira do Hospital

Opinião: “MAIA, a abelha distópica que está a matar a escola”

redacao por redacao
6 de Junho, 2022
em Opinião, Última Hora
Reading Time: 5 mins read
A A
Tertúlia “não tem objetivo de comemorar Fátima, mas de debater Fátima”  
0
PARTILHAS
0
VISUALIZAÇÕES
PartilharTweetarEnviar

No espaço de Opinião na Rádio Boa Nova, Luís Filipe Torgal apresenta o artigo “MAIA, a abelha distópica que está a matar a escola”.  Luís Filipe Torgal é professor de História do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, investigador e colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20) e autor de vários livros e artigos científicos ou de intervenção cívica e conferencista.

MAIA, a abelha distópica que está a matar a escola  

“Domingos Fernandes e a sua rede de «cientistas» e tecnocratas – sincronizados com o ex-secretário de Estado da Educação, entretanto promovido a ministro da Educação – fez um diagnóstico inexorável (e bizarro) da educação portuguesa: as pedagogias e processos de avaliação usados pelos nossos professores remontam ao século XIX e lesam a educação inclusiva.

Perante tal diagnose, o Ministério da Educação (ME) iniciou uma cruzada que visa revolucionar as metodologias de ensino, aprendizagem e avaliação das escolas nacionais. Refiro-me, neste texto, ao projeto MAIA, Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica, iniciado em 2019. Começou por ser um «projeto de âmbito nacional e de adesão voluntário» (Domingos Fernandes, Para uma Avaliação Pedagógica: Dinâmicas e Processos de Formação no Projeto MAIA, 2020, p. 10), para, entretanto, adquirir uma dimensão, tacitamente, obrigatória e totalitária. 

Multiplicaram-se as formações, os colóquios, os encontros, as comunicações presenciais ou digitais sobre o projeto. Os Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE) concentraram as suas preocupações prioritárias nos temas da avaliação/classificação (assim como nas tecnologias da informação e da comunicação) e passaram a desprezar ainda mais as ações de formação de professores dedicadas às áreas científicas específicas (História, Português, Matemática, Ciências Naturais, etc.)

Nestes «seminários» de formação de professores, o evangelho dos novos gurus da educação é propagado ad nauseam. Recordemos o seu conteúdo: os professores afundaram-se há muitas décadas em práticas pedagógicas e avaliativas equívocas e perniciosas que têm desmotivado e lesado os alunos. Chegou, todavia, o momento de esses docentes reconhecerem os seus atos falhados, saírem da caverna, enxergarem a luz da «verdade», edificarem a escola feliz e proporcionarem o sucesso educativo universal. Para isso, têm de optar exclusivamente por pedagogias ativas (discursar aos alunos sobre ciência tornou-se um pecado mortal), fundir conhecimentos com competências, avaliar de forma holística, distinguir avaliar de classificar, diferenciar práticas de avaliação formativa e sumativa (fazer testes escritos sumativos é outro pecado imperdoável), definir objetivos, critérios, rubricas e indicadores de aprendizagem a partir das aprendizagens essenciais.

Este é o novo paradigma educativo, o alfa e o ómega da escola, onde os professores devem concentrar toda a sua energia. Aqueles que preferirem canalizar a sua energia para a preparação pedagógica e científica estruturada das suas aulas não têm lugar na «escola moderna», onde ensinar ciência atualizada tornou-se um detalhe de menor importância.

Esta teologia e pregação inovadoras — concebidas de cima para baixo pelo ministro da Educação e a sua máquina de mentores, tecnocratas e burocratas — estão já a «revolucionar» a escola pública. Porém, tal evangelho desperta reflexões e problemas que quase todos preferem ignorar, olimpicamente. 

Há muito tempo que a maioria dos professores incorporaram várias das práticas atrás descritas no seu trabalho, pois enveredaram por aulas dialogadas, optaram por experimentar metodologias ativas (e afetivas) e abandonaram os antigos hábitos de avaliar os alunos exclusivamente através de testes escritos. Contudo, é justo reconhecer que a avaliação formativa e sumativa sistemática e o recurso contínuo a pedagogias ativas acarreta dificuldades, a saber: É possível elaborar e operacionalizar critérios de avaliação holísticos onde os domínios comportamentais se fundem com os domínios do conhecimento? Como conciliar o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória com a lecionação dos conteúdos vertidos nos programas das diversas disciplinas? Devemos avaliar as escolas, os seus alunos e professores segundo os critérios utilizados nas empresas e aplicados aos seus «colaboradores»? Estão os projetos pedagógicos «inovadores» — inspirados no projeto MAIA, testados nas escolas públicas nacionais e tão aplaudidos pelo ME — a ser avaliados através de critérios isentos e objetivos? Os professores do primeiro ciclo do ensino básico, que ensinam em regime de monodocência, têm turmas com cerca de 20 alunos, trabalham com os seus alunos todos os dias e acompanham-nos muitas vezes do início ao fim do ciclo, lá vão conseguindo, porventura, aplicar mais regularmente as intrincadas metodologias pedagógicas e avaliativas agora exigidas. Mas os professores dos ciclos subsequentes, que lecionam em regime de pluridocência, têm, na maioria dos casos, mais de 5 turmas (muitas vezes, 8, 9 ou mais turmas), mais de 100 alunos com quem estão apenas uma, duas ou três aulas semanais de 50 minutos. Como podem estes professores ensinar e avaliar com objetividade e transparência cada um dos seus alunos recorrendo, de modo sistemático, aos modelos pedagógicos e avaliativos complexos hoje impostos, os quais pressupõem, por exemplo, um feedback (como agora se diz em bom português) instantâneo e contínuo? Como conseguem fazê-lo sem cair na armadilha de reduzirem a educação e avaliação a um processo bur(r)ocrático kafkiano? (Recordo-me de uma professora a quem os alunos chamavam «Caixa Registadora», porque passava as suas aulas a registar em grelhas digitais e em papel as alegadas evidências demonstradas pelos alunos). Como logram estes professores ensinar ciência, através de praticas estruturadas, e cumprir os programas das suas disciplinas recorrendo obsessivamente às pedagogias ativas? Programas longos que em várias disciplinas (onde, em certos casos, a carga horária tornou-se ainda mais reduzida) estão sujeitos a provas de aferição, provas finais de ciclo e exames nacionais que visam medir, com suposta assertividade e seriedade, o conhecimento científico e literário dos alunos.

Decerto que podemos já tirar uma ilação da alegada aplicação das «novas» pedagogias no domínio da avaliação: o sucesso educativo inflacionou e as percentagens de retenções diminuíram drasticamente. E tais cifras fazem a felicidade das direções das escolas, do ME, do seu ministro e inspetores, bem como de muitos alunos, pais e professores. Paradoxalmente, a maioria dos alunos chegam hoje ao ensino secundário e ao final do liceu pior preparados nos planos científico, literário e cívico. Trabalham menos, leem, interpretam e escrevem pior, revelam conhecimentos menos consistentes e – problema que não é de somenos importância – exibem comportamentos mais indisciplinados nas salas de aula. Isto é uma evidência que só escapa aos educadores românticos e aos tecnocratas da educação, que não pisam diariamente o chão das salas de aula, porquanto se escapuliram delas por falta de vocação e abnegação.

Está o ME disponível para debater estas questões? Não está. Neste momento, a ordem é arregimentar novos crentes, silenciar e marginalizar os descrentes e caminhar gloriosamente para o abismo. «Quem vier atrás que feche a porta!» E no futuro, a médio ou a longo prazo, quando se concluir que estas «políticas» pedagógicas não produziram melhores cidadãos, mas sim súbditos mais iletrados, amorfos e hedonistas, quem assumirá as responsabilidades? Obviamente, ninguém. Porque os portugueses já inscreveram no seu espírito a máxima de que em Portugal «a culpa [vive e] morre solteira»!“

Luís Filipe Torgal

redacao

redacao

Leia também

IP3 continua cortado em Penacova após derrame de resina
Informação

IP3 só terá circulação normal na próxima semana após derrame de resina

21 de Julho, 2026
Seia: Homem detido por incêndio florestal
Informação

Seia: Homem detido por incêndio florestal

21 de Julho, 2026
Tábua, Universidade de Coimbra e CSIC unem-se para valorizar legado romano
Tábua

Tábua, Universidade de Coimbra e CSIC unem-se para valorizar legado romano

21 de Julho, 2026
João Martins assume presidência da AD Lagares da Beira
Desporto

João Martins assume presidência da AD Lagares da Beira

21 de Julho, 2026
EXPOH quer consolidar-se como um dos grandes eventos da região Centro
Cultura

EXPOH quer consolidar-se como um dos grandes eventos da região Centro

21 de Julho, 2026
Biblioteca Municipal João Brandão assinala 25 anos ao serviço da cultura e da comunidade de Tábua
Cultura

Biblioteca Municipal João Brandão assinala 25 anos ao serviço da cultura e da comunidade de Tábua

21 de Julho, 2026
IP3 continua cortado em Penacova após derrame de resina
Informação

IP3 continua cortado em Penacova após derrame de resina

21 de Julho, 2026
Eptoliva: “Foram 10 anos de muito trabalho e de dedicação plena. Temos ainda um mundo de desafios”
Educação

Câmara de Coimbra aprova integração do ITAP na escola profissional Eptoliva

20 de Julho, 2026
Dois pódios para o Maratona Clube Vila-Chã no Meeting Internacional Master de Coimbra
Desporto

Dois pódios para o Maratona Clube Vila-Chã no Meeting Internacional Master de Coimbra

20 de Julho, 2026
Carregar Mais
Seguinte
Secção Hóquei Patins vai ser autónoma com designação de Associação Desportiva de Oliveira do Hospital

Secção Hóquei Patins vai ser autónoma com designação de Associação Desportiva de Oliveira do Hospital

Duas farmácias de Oliveira do Hospital fazem testes gratuitos à Covid-19

Covid-19: Oliveira do Hospital regista 203 casos ativos. Tábua soma 199

EXPOH – A não perder entre 22 e 26 de julho

Este é um conselho a levar em conta

https://radioboanova.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/APDSE-carrocel.mp4

Os Nossos PODCAST

Pub

15ª Edição “A Escola e o meio”

Opinião

Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho
Opinião

Futurologia e tirania

por redacao
31 de Janeiro, 2026
0

«Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro»George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e quatro, 1949...

Ler maisDetails
Morreu o Sr. Costa: voluntário e amigo, um homem sempre presente na comunidade

Agradecimento público

6 de Janeiro, 2026
Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

Anatomia do Chega: A propósito de um livro do jornalista Miguel Carvalho

27 de Dezembro, 2025
A Amiga Natália

A Amiga Natália

14 de Dezembro, 2025

Um projeto para moldar o futuro digital da Europa

Super Pista: oiça aqui o Podcast dos programas

As mais recentes

IP3 continua cortado em Penacova após derrame de resina

IP3 só terá circulação normal na próxima semana após derrame de resina

21 de Julho, 2026
Seia: Homem detido por incêndio florestal

Seia: Homem detido por incêndio florestal

21 de Julho, 2026
Tábua, Universidade de Coimbra e CSIC unem-se para valorizar legado romano

Tábua, Universidade de Coimbra e CSIC unem-se para valorizar legado romano

21 de Julho, 2026
João Martins assume presidência da AD Lagares da Beira

João Martins assume presidência da AD Lagares da Beira

21 de Julho, 2026
EXPOH quer consolidar-se como um dos grandes eventos da região Centro

EXPOH quer consolidar-se como um dos grandes eventos da região Centro

21 de Julho, 2026
Biblioteca Municipal João Brandão assinala 25 anos ao serviço da cultura e da comunidade de Tábua

Biblioteca Municipal João Brandão assinala 25 anos ao serviço da cultura e da comunidade de Tábua

21 de Julho, 2026

Os nossos livros


COOPERATIVA RÁDIO BOA NOVA, CRL
Av. Calouste Gulbenkian, s/n
3400-060 Oliveira do Hospital
IBAN-PT50 0045 3380 40167960882 18

Telf/ 238605200/2/3/4/5-Fax/ 238605201  “chamada da rede fixa nacional”
E-mail:  radioboanova1002@gmail.com

Site:  radioboanova.sapo.pt

NIF – 501 843 019

N.º Registo na ERC: 423098

CAE: 60100   /  SIC: 4832

ANACOM:
N.º Licença Serviço de Radiodifusão – 20370
Serviço Fixo  : 505018
Registo INPI N.º 643805

  • A Rádio Boa Nova
  • Empresa
  • Editorial
  • Liga de Amigos
  • Programação
  • Contactos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design

No Result
View All Result
  • Passou na Boa Nova
  • Desporto
  • Oliveira do Hospital
  • Tábua
  • PODCASTS
  • Mais
    • Informação
    • Programas
    • Região
    • Política
    • Cultura
    • Sociedade
    • Educação
    • Nacional
    • Opinião
    • Vídeos

Copyright © Radio Boa Nova - Todos os Direitos Reservados | Desenvolvido por Inovve Agência Web Design