O número de casos de gripe está a aumentar, prevendo-se que a doença que afeta principalmente as vias respiratórias possa ter um maior impacto neste ano. Esta terça-feira (9), a ministra da Saúde, Ana Paula Martins apelou à prevenção e ao uso de máscara para travar a progressão do vírus.
Partilhamos por isso os conselhos do Rui Pedro Loureiro, médico coordenador da Unidade de Saúde Familiar Terras D’Ulvária, sobre este tema. Ouça aqui:
Gripe: causas, sintomas, tratamento e prevenção
A gripe é uma doença infecciosa causada pelos vírus influenza A e B, que afetam principalmente as vias respiratórias. Embora possa surgir em qualquer época do ano, é mais comum durante o inverno, quando a circulação viral aumenta e o contacto entre pessoas ocorre com maior frequência em ambientes fechados.
Trata-se de uma doença de curta duração, geralmente com sintomas moderados, mas que pode evoluir para complicações em grupos mais vulneráveis.
Principais sintomas da gripe
A gripe manifesta-se de forma súbita e os sintomas mais característicos incluem:
- Dores musculares e articulares
- Dor de cabeça
- Dor de garganta
- Tosse
- Congestão nasal
- Febre alta (por vezes)
Sintomas em crianças
Nas crianças, os sintomas são semelhantes aos observados em adultos. No entanto, nos mais pequenos, podem surgir ainda:
- Diarreia
- Dificuldade respiratória
- Olhos vermelhos
Tratamento: o que fazer e o que evitar
A maioria dos casos de gripe não necessita de tratamento específico e melhora espontaneamente. Assim, na presença de sintomas, não é recomendado recorrer de imediato aos serviços de urgência.
O que fazer
- Fique em casa e evite o contacto com outras pessoas.
- Areje os espaços abrindo janelas para melhorar a circulação do ar.
- Meça a temperatura regularmente.
- Beba muitos líquidos, como água e sumos naturais.
- Se estiver grávida ou a amamentar, consulte sempre o médico antes de tomar qualquer medicamento.
O que evitar
- Não tome antibióticos sem prescrição médica — eles não atuam em infeções virais como a gripe.
- Não frequente locais fechados e pouco ventilados quando estiver doente.
Como o vírus se transmite
O vírus da gripe é transmitido sobretudo por via respiratória, tanto:
- Diretamente, de pessoa para pessoa, através de contacto próximo;
- Indiretamente, por gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar.
Como prevenir o contágio
Para reduzir o risco de transmissão, é essencial adotar algumas medidas simples:
- Evitar beijar, abraçar ou permanecer em locais com grande concentração de pessoas quando estiver doente.
- Usar máscara, especialmente em ambientes fechados.
- Desinfetar superfícies de uso comum.
- Lavar frequentemente as mãos.
- Manter a etiqueta respiratória:
- Cobrir a boca e o nariz com um lenço ou o braço ao tossir/espirrar;
- Nunca tossir para as mãos;
- Lavar as mãos após tossir ou espirrar.
Duração e evolução da doença
A gripe tem geralmente evolução favorável. Os sintomas costumam durar dois a quatro dias, e a recuperação total pode levar uma a duas semanas.
Grupos de risco
Em pessoas com doenças crónicas, idosos ou indivíduos com o sistema imunitário fragilizado:
- A recuperação pode ser mais lenta.
- O risco de complicações aumenta, incluindo:
- Pneumonia
- Crises de asma
- Descompensação de diabetes
- Agravamento de doenças cardíacas ou pulmonares
Nestes casos, é importante estar atento ao agravamento dos sintomas e procurar ajuda médica sempre que necessário.
A gripe é uma doença comum, mas que exige cuidados para evitar complicações e reduzir a transmissão. Neste inverno, proteger-se — e proteger os outros — é fundamental. Medidas simples como manter-se em casa quando doente, cumprir a etiqueta respiratória e garantir boa ventilação dos ambientes podem fazer toda a diferença.































