A Comissão Concelhia da CDU de Oliveira do Hospital denuncia o que classifica como um “logro” no funcionamento das “urgências em Oliveira do Hospital”, alertando para a cobrança de 30 euros a utentes que recorrem ao serviço sem referenciação prévia pela linha SNS 24.
A estrutura liderada por João Dinis continua a defender o Sistema Nacional de Saúde (SNS) “universal e gratuito, também no concelho de Oliveira do Hospital”. Por isso, considera que o modelo atualmente em vigor no concelho resulta de um sistema “híbrido” entre público e privado que, na sua perspetiva, não respeita os princípios do SNS, nomeadamente a universalidade e gratuitidade no acesso aos cuidados de saúde.
De acordo com a denúncia, vários utentes têm sido surpreendidos com a exigência do pagamento de 30 euros para acesso a uma consulta de urgência. A cobrança ocorre nos casos em que os utentes não obtiveram previamente referenciação através da linha SNS 24. “São desagradavelmente surpreendidos pela imposição do pagamento de 30 euros para terem acesso a consulta dita de «urgência» e ainda que até estejam isentados de custos para o efeito”, explica.
A CDU sublinha que esta exigência é particularmente gravosa tendo em conta as dificuldades frequentes no contacto com a linha SNS 24, referindo tempos de espera prolongados.
Para a força política, esta realidade demonstra que, na prática, “não existem urgências públicas via SNS” em Oliveira do Hospital, considerando a situação “inadmissível”.
A CDU aponta responsabilidades diretas ao Ministério da Saúde, ao Governo e aos “outros responsáveis estão à frente dos destinos do nosso Município e também desde início do tal sistema «híbrido» por cá montado”, considera.
O partido exige a correção imediata do que considera ser mais um atropelo aos direitos da população.
No mesmo comunicado, a CDU volta ainda a alertar para a falta de médicos e de outros profissionais no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital, problema que continua a deixar “milhares de utentes sem médico de família” no concelho.
Em novembro, presidente da FAAD explicou que o acesso ao Centro de Atendimento Clínico estava limitado aos utentes que ligassem previamente para a linha do SNS 24
Refira-se que no início de novembro de 2025, Álvaro Herdade, presidente do Conselho de Administração da FAAD confirmou à Rádio Boa Nova que o acesso ao serviço de urgências da instituição, designado por Centro de Atendimento Clínico (CAC) estava, desde essa altura, limitado aos utentes que ligassem previamente para a linha do SNS 24. Referiu que, às pessoas que acorram àquele serviço sem que tenham sido referenciadas pelo 808 24 24 24, o hospital da FAAD disponibiliza uma consulta de clínica geral, com custo de 30 Euros.
A tomada de posição surgiu no seguimento de Herdade ter sido, na altura, confrontado pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra com a indicação de que o hospital não iria ser ressarcido dos valores correspondentes aos utentes consultados, sem que tenham sido referenciados pelo SNS 24.
Em causa estavam, à data, segundo Álvaro Herdade, cerca de 12 700 consultas das 13 mil que foram feitas desde o dia 13 de janeiro deste ano, data em que o CAC entrou em funcionamento. “Implica mais de 400 mil euros”, apontou o responsável da FAAD que, até aqui, “já pagou aos médicos, enfermeiros e a todo o pessoal”. Este é um prejuízo “difícil de suportar para a Fundação”, referiu.
“Isso estava implícito desde o início, quando foi assinado o protocolo com a ULS. E, em todos os CAC, as pessoas para serem atendidas têm que ligar sempre primeiro para o SNS 24. Está devidamente assinalado, em letras enormes. Antes de se dirigir ao CAC, ligue 808 24 24 24”, explicou Herdade.
À Rádio Boa Nova, o presidente do CA da FAAD, lembrou que, no início, foi dito que “nunca ficaria ninguém por ver”, mas “as pessoas começaram a fazer disso sistema”. “Por tudo e por nada, correm para o Hospital, não ligam para a saúde 24”, lamentou. Álvaro Herdade apela à população para que adote esse procedimento.






























