O Município de Tábua assinou, esta segunda-feira (18), o contrato de empreitada para a criação do futuro “Centro de Interpretação do Mundo Rural – Memórias de Tábua”, equipamento que ficará instalado no antigo Matadouro de Tábua e que pretende afirmar-se como um novo polo museológico e turístico do concelho.



Durante a cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, sublinhou que este projeto representa “a diferença de um executivo que quer valorizar o seu passado”, defendendo que o novo espaço será “uma memória coletiva, a memória de todos os tabuenses”.
Na ocasião, o autarca agradeceu à empresa adjudicatária da obra, Manuel da Silva & Filho, que também se tem destacado pelo trabalho de requalificação do Centro de Saúde de Tábua. O investimento é superior a meio milhão de euros.
Ricardo Cruz explicou que o Centro de Interpretação do Mundo Rural integra uma estratégia mais ampla da autarquia para criar novos espaços museológicos durante o atual mandato. “Tivemos um propósito para este mandato, conseguir pelo menos três museus ou centros de interpretação, para que Tábua finalmente possa ter um espaço museológico ao dispor de todos os visitantes”, referiu.
O presidente da Câmara destacou ainda a importância do turismo para o concelho, afirmando que Tábua é atualmente “o terceiro concelho em termos de dormidas e procura na região de Coimbra”, acrescentando que o objetivo passa por “dar consolidação para que essas dormidas possam ainda aumentar”.
O futuro equipamento será dedicado à valorização da identidade rural e das tradições locais, recriando atividades ligadas à floresta, agricultura, vinho, pão, queijo e antigas profissões tradicionais. “Entraremos pelas florestas, pela agricultura, valorizando a oliveira e o medronho manso, mas também a atividade vitivinícola, nomeadamente o vinho, sendo Tábua uma região marcada pelo Dão”, explicou o autarca.
Segundo Ricardo Cruz, o espaço contará com uma área dedicada à realização de provas de vinho e à promoção dos produtos locais. “Teremos também um espaço onde poderemos fazer provas e dinamização deste néctar essencial”, afirmou.
O percurso museológico incluirá ainda referências ao ciclo do pão e da broa, ao linho e ao queijo da Serra da Estrela, com experiências sensoriais para os visitantes. “Iremos colocar um ciclo de produção da broa e experiências auditivas ligadas ao forno de lenha, para percebermos como se faz a broa”, disse.
O presidente da Câmara destacou igualmente a intenção de homenagear profissões tradicionais que marcaram o desenvolvimento económico do concelho. “Valorizemos as mãos que estiveram na terra, profissões que outrora foram importantes para o desenvolvimento económico de Tábua e que agora estão em vias de extinção”, referiu, apontando exemplos como o tanoeiro e o ferreiro.
Ricardo Cruz revelou ainda que o município pretende inaugurar o novo espaço no feriado municipal de Tábua, em abril de 2027. “Convido já todos os presentes para que, no próximo feriado municipal, a 10 de abril de 2027, possamos estar aqui a abrir este espaço”, afirmou.
O autarca reconheceu, contudo, as dificuldades que os municípios e empresas enfrentam devido ao elevado número de obras financiadas pelo PRR. “Sabemos que é um tempo muito difícil para as autarquias e para os empresários, por causa das obras do PRR e das inúmeras obras que temos em curso no município”, disse.
Além deste centro interpretativo, Ricardo Cruz adiantou que o município está também a avançar com outros projetos culturais e museológicos, nomeadamente o “Welcome Center de Tábua / Museu Sarah Beirão”, já com financiamento aprovado pelo Turismo de Portugal, e a futura incubadora/oficina do queijo.
“O Welcome Center será um posto de turismo, com parte do arquivo municipal e a requalificação do espólio de Sara Beirão”, explicou.
Já o Centro de Interpretação Interativo de João Brandão continua em fase de procura de financiamento. “Temos o projeto identificado e estamos à procura do investimento necessário para a valorização desse espaço”, concluiu.
































