Os problemas registados na qualidade da água das praias fluviais do concelho de Oliveira do Hospital durante a última época balnear estiveram em destaque na Assembleia Municipal, com Manuel Pimentel, presidente da Junta de Freguesia de Avô, a alertar para os prejuízos causados pelas sucessivas interdições temporárias.
“Olhando para a época balnear que terminou a 31 de agosto, podemos dizer que tivemos uma época balnear bastante complicada”, afirmou o autarca, referindo-se às praias que foram encerradas devido aos resultados das análises à água. Manuel Pimentel destacou a situação vivida em Avô, onde “a análise era feita à quarta-feira, o resultado saía à sexta e dava positivo, mas faziam a contra-análise à sexta e o resultado saía à segunda e dava negativo”, situação que levou ao encerramento da praia durante fins-de-semana.
Segundo o presidente da Junta, a situação teve reflexos na atividade turística e comercial da região. “Este ano senti que houve menos pessoas na nossa região no verão”, afirmou, acrescentando que muitos potenciais visitantes questionavam previamente se podiam tomar banho no rio. “Isto é para transmitir que passou a ideia de que a água não estava boa para banhos”, lamentou.
Perante este cenário, Manuel Pimentel defendeu uma ação preventiva para evitar que o problema se repita. “Era preciso controlar isso, porque não podemos dar-nos ao luxo de, no próximo verão, termos a mesma situação”, disse, sugerindo uma fiscalização mais apertada às habitações e infraestruturas localizadas junto às linhas de água.
Sobre o assunto, o vice-presidente da Câmara e vereador do Ambiente, Nuno Oliveira, começou por esclarecer que “quem interdita as praias fluviais é a Direção-Geral da Saúde”, salientando que o Município realiza análises complementares por sua iniciativa. “Além da análise que é feita pela APA, o próprio Município paga uma extra”, explicou, defendendo que todo o processo foi conduzido “com transparência” e, mais do que tudo, com abertura”.
O autarca reconheceu as preocupações manifestadas pelos presidentes de junta e defendeu uma atuação firme junto das entidades competentes. “Os nossos desafios estão lá fora e os grandes entraves estão noutras instituições que não estas”, afirmou, referindo-se à necessidade de pressionar organismos externos para encontrar soluções duradouras.
Sobre águas balneares, Cátia Alves, presidente da Junta de Freguesia de Alvoco das Várzeas, aproveitou a intervençao para insistir numa intervenção há muito reivindicada para a praia fluvial local. “Queremos continuar a melhorar os resultados e sobretudo queremos garantir cada vez mais a qualidade da água”, afirmou, defendendo a construção de um dique ou represa na zona balnear. A autarca pediu mesmo que a obra seja contemplada no próximo orçamento municipal. “Gostaríamos que a construção do chamado dique ou represa fosse incluída no Orçamento Municipal para 2027″, apelou.
Na resposta final, o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, procurou contextualizar os problemas verificados. “Há um problema com a qualidade da água. Mas isso é um problema que houve em Oliveira do Hospital, houve em Arganil, houve em Penacova, houve numa série de concelhos”, afirmou.
Apesar dos constrangimentos, Rolo considerou que “geralmente a época balnear correu bem”, sublinhando que a autarquia optou sempre pela transparência na divulgação das interdições temporárias. “Temos que pôr um anúncio e dizer que a praia está com a atividade suspensa, porque é a nossa prática de segurança e de transparência”, referiu.
O presidente do Município admitiu ainda que há trabalho a desenvolver com várias entidades, apontando particularmente para a Agência Portuguesa do Ambiente e para a Águas do Vale do Tejo. “Há aqui trabalho a fazer”, reconheceu, defendendo uma maior atenção às estações de tratamento de águas residuais situadas a montante das praias fluviais.
Quanto à reivindicação de Alvoco das Várzeas, José Francisco Rolo garantiu que a autarquia continuará a procurar uma solução. “A APA tem sido um grande obstáculo à colocação de uma represa de água, de um dique ali”, afirmou. Ainda assim, deixou a garantia de que a autarquia vai “tentar” e “tudo fará para que esses projetos sejam aprovados”.






























