O adiamento do IC6 voltou, esta manhã, a dominar a reunião pública da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. O vereador da oposição, eleito pelo “Motivo”, João Duarte, endureceu o discurso e defendeu que a região deve passar das críticas às ações concretas, admitindo uma mobilização que poderá incluir o “corte do IP3 ou da A1”.
A começar por considerar que “é da mais elementar falta de vergonha da parte do Governo, é novamente um esquecimento da região e mau-trato para connosco”, João Duarte considerou, esta manhã, que as notícias vindas a público sobre o IC6 foram “a gota de água”.
O vereador defendeu que a questão deve deixar de estar circunscrita ao debate político local e à comunicação social regional e é preciso levá-la “para a esfera nacional”, defendendo mesmo que o assunto chegue “ao debate da Assembleia da República”. Para João Duarte é necessário reforçar a pressão política para exigir uma resposta concreta relativamente à obra e disse querer saber sobre o posicionamento de outros municípios, nomeadamente da CIM Coimbra, se estarão disponíveis para assumir uma posição conjunta sobre o IC6. “Vamos ver quem é que tem coragem”, afirmou, defendendo que é preciso perceber “se a obra avança ou não avança”.
Na intervenção, João Duarte chegou a colocar em cima da mesa a possibilidade de uma ação conjunta entre municípios e agentes económicos da região. “Por que não juntar os autarcas de Seia, Oliveira do Hospital e de Gouveia?”, questionou. Foi mais longe defendendo também o envolvimento de empresários da região, “agrícolas e da indústria pesada”, numa ação de protesto que poderá passar pelo bloqueio de vias rodoviárias. Sugeriu mesmo o “corte do IP3 ou da A1 para que sejamos ouvidos”.
João Duarte criticou a dilação do calendário para a concretização do IC6, afirmando que o Governo está a “chutar (o IC6) para 2028”.
Francisco Rodrigues: “Não há nenhuma decisão”
As declarações de João Duarte motivaram a intervenção do vereador do PSD, Francisco Rodrigues, que começou por questionar a existência de uma decisão formal do Governo sobre o adiamento da obra. “Não há nenhuma decisão. Não levantem lebres, não levantem bandeiras para uma situação, onde elas não existem”, afirmou Francisco Rodrigues, que chegou a acusar João Duarte de estar a fazer “um número político”.
O vereador social-democrata enquadrou a discussão no atual contexto financeiro do país. “Nós passámos por um comboio de tempestades, durante este ano, que exigiu, tanto quanto é dito, mais de 5 mil milhões de euros de esforço adicional acima daquilo que estava previsto”, afirmou. Francisco Rodrigues referiu ainda o impacto das guerras e do aumento dos combustíveis, questionando a capacidade de o Estado executar todos os investimentos anteriormente previstos.
Nuno Oliveira aponta outros investimentos na região
O vice-presidente da Câmara Municipal, Nuno Oliveira, contrapôs que o argumento relacionado com as dificuldades financeiras do Estado deve ser analisado tendo em conta outras obras e investimentos em discussão na região.
“Tudo o que o Francisco disse teria lógica, se não se andasse, por exemplo, na região de Coimbra, a discutir o porto da Figueira da Foz”, afirmou, apontando igualmente para a discussão em torno do IP3 e outras obras, sublinhando que o IC6 já é anterior a esses projetos.
José Francisco Rolo: “Esta é uma dívida do Estado Central com esta região”
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, voltou a defender que o prolongamento do IC6 constitui uma responsabilidade acumulada do Estado para com a região.
“Nós estamos a ser pacientes há mais de 30 anos”, afirmou. Para o autarca, “esta é uma dívida do Estado Central com esta região”, considerando que nenhum Governo conseguirá reparar integralmente os prejuízos provocados pela não conclusão da infraestrutura. “Há mais de 30 anos, sucessivos governos, do Partido Socialista, do PSD e da AD estão em incumprimento”, afirmou.
Para José Francisco Rolo “é dificil de entender aquilo que estão a fazer a Oliveira do Hospital, a Seia, mas também a Gouveia, a Tábua e a Arganil”.
Na reunião desta manhã, o autarca disse estar a aguardar resposta à missiva que dirigiu à Infraestruturas de Portugal (IP) a solicitar esclarecimentos sobre o adiamento do IC6 para 2028.
A propósito, Rui Fernandes que susbtituiu a vereadora Guiomar Sarmento (PSD) na reunião, considerou que Rolo faz bem em questionar a IP sobre o assunto. “Acho muito bem que continue a perseguir o assunto, mesmo dentro da CIM Coimbra. Na realidade há que haver alguma solidariedade. Acho que estamos todos no mesmo barco”, afirmou também.































