O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital revelou que as recentes tempestades provocaram prejuízos estimados em cinco milhões de euros no concelho. A declaração foi feita na reunião da Assembleia Municipal, realizada na tarde de 27 de fevereiro, sessão em que o Coordenador Municipal da Proteção Civil, José Carlos Marques, fez uma apresentação sobre as ocorrências registadas, a coordenação de meios e os prejuízos apurados.
De acordo com José Francisco Rolo, o valor apurado resulta do levantamento efetuado até àquela data, mas que poderá sofrer alterações. “Independentemente das 358 ocorrências, da sua georreferenciação, aquele valor que ali foi apresentado, 5 milhões de euros, é meramente indicativo. O trabalho ainda não está concluído”, afirmou, explicando que o Município se encontrava a trabalhar no levantamento de todos os projetos para efeito de submissão da pré-candidatura à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Durante a intervenção, destacou que a resposta à crise exige planeamento e recursos financeiros. “Isto vai resolver-se, a primeira fase, a recuperação, com planeamento, com inventariação de prejuízos, com priorização de investimentos e nunca se esqueçam, com investimento, com dinheiro”, declarou.
O presidente recordou que o concelho enfrentou quase um mês consecutivo de condições meteorológicas adversas que “deixaram muitas marcas e muitos prejuízos”. “Portanto, sabemos o que temos pela frente”, referiu.
À data da reunião da Assembleia Municipal, a autarquia encontrava-se a ultimar a candidatura para apoio financeiro, à semelhança do que aconteceu após os incêndios do verão passado, cuja candidatura viu validados 6.964.398,85 euros de prejuízos elegíveis.
José Francisco Rolo explicou ainda que a declaração de calamidade é essencial não apenas para aceder a apoios financeiros, mas também para agilizar procedimentos. “A declaração de calamidade dá-nos um instrumento legal importante, que é a agilização dos processos de contratação pública”, disse, salientando que este mecanismo permitirá acelerar intervenções urgentes, nomeadamente na Estrada Municipal 514, onde ocorreu uma derrocada de grandes dimensões.
A sessão ficou ainda marcada por agradecimentos às entidades envolvidas na resposta às ocorrências, incluindo bombeiros, forças de segurança, juntas de freguesia e serviços municipais, num total de 358 situações registadas em todo o concelho.
José Francisco Rolo associou-se aos votos de pesar pelas vítimas das tempestades aprovados no decorrer da Assembleia Municipal. Na ocasião foi feito um minuto de silêncio em homenagem às 19 vítimas mortais das tempestades.



“É preciso uma estratégia séria de prevenção”
Os estragos provocados pelo mau tempo marcaram o período antes da ordem do dia da reunião da Assembleia Municipal, com destaque para as intervenções dos presidentes das Juntas de Freguesia mais afetadas pelas tempestades.
Do lado da oposição, Sandra Fidalgo (PSD) questionou o executivo sobre aquilo que é feito para minimizar estes impactos dos fenómenos metereológicos que são cada vez “mais frequentes” seja ao nível das tempestades ou de ondas de calor. “É preciso uma estratégia séria de prevenção”, afirmou a deputada municipal.
Na ocasião, o deputado do PSD Mário Alves chegou insurgir-se contra os sucessivos agradecimentos que, durante a sessão, foram dirigidos ao executivo e serviço municipal da proteção civil pela ajuda que prestaram às populações. “Agradecer o quê? Só fazem aquilo que lhes compete”, afirmou, considerando que o “importante” é que agora o Município prepare um projeto para se candidatar ao PTRR.

































