O Município de Tábua assinou, esta manhã, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, protocolos de colaboração com a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e com a Agência Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), de Espanha, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a presença romana no território, com especial enfoque na exploração aurífera do rio Alva e nas antigas paisagens mineiras.
A iniciativa, integrada nas comemorações do Dia Internacional da Arqueologia, assinalado a 24 de julho, reforça a aposta do município na investigação, preservação e valorização do património arqueológico, reconhecido como um importante elemento da identidade local e um potencial fator de desenvolvimento cultural e turístico.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, considerou estar perante “um dia histórico” para o concelho, sublinhando que os protocolos representam “a importância deste trabalho conjunto entre o Município de Tábua, a Universidade de Coimbra e outras entidades parceiras”, com vista à valorização “do que é nosso e que poderá ter também um lugar no mercado turístico do futuro”.
O autarca destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo município na área do património, nomeadamente através da elaboração da Carta Arqueológica do Concelho de Tábua, da valorização de sítios como a Via Romana da Pedra da Sé e da criação de novas parcerias científicas que permitam conhecer, preservar e divulgar a história local.


Investigação, conhecimento e valorização do território
O diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Albano Figueiredo, garantiu total disponibilidade da instituição para colaborar com o município, lembrando a forte tradição da FLUC nos domínios da arqueologia e do património. “A Faculdade de Letras está em condições de honrar o protocolo que acaba de subscrever com este município, cooperando cientificamente em todos os projetos em que possamos ser úteis”, afirmou.
Por sua vez, Bráis Currás, investigador do CSIC, considerou que esta colaboração representa uma nova etapa na investigação da mineração romana na região, recordando a importância histórica da Lusitânia enquanto território associado à exploração do ouro.
Já Pedro Carvalho, do Departamento de História, Estudos Europeus, Arqueologia e Artes da Universidade de Coimbra, destacou o valor diferenciador do património cultural nos territórios do interior. “Tábua tem um património que precisa de ser valorizado e dado a conhecer. Não basta ter esse património, é preciso contar a história que ele pode transmitir”, referiu, lembrando que o rio Alva foi uma das principais áreas de exploração aurífera da Península Ibérica em época romana.
Em representação da Associação de Municípios Portugal Romano, José Barbosa salientou a importância do trabalho em rede entre territórios. “É essa união que traz força ao património romano”, afirmou.
Também a arqueóloga do Município de Tábua, Ana Rita Pereira, destacou que os protocolos refletem “o reconhecimento do interesse do município na investigação, estudo, promoção e divulgação do património histórico e arqueológico”.
No encerramento da sessão, Ricardo Cruz defendeu a continuidade do trabalho conjunto entre municípios e instituições científicas, apontando para a criação futura de uma rota turística associada ao património romano e à exploração aurífera do rio Alva. “Não queremos estar isolados. Queremos valorizar em conjunto este património de uma época importantíssima da nossa história. Trabalhemos em conjunto, porque esse é o nosso grande objetivo”, concluiu.


































