Teve início esta manhã, em Tábua, o 14.º Encontro do Grupo de Trabalho “Brincar na Cidade Educadora”, promovido no âmbito da Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras. A iniciativa prolonga-se até amanhã, 1 de abil, e junta representantes de vários municípios, técnicos e agentes educativos para debater políticas e práticas centradas na infância.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Tábua, Ricardo Cruz, destacou o caminho que o concelho tem vindo a construir na integração do brincar nas dinâmicas educativas. “Tem vindo a ser um trabalho de consolidação do nosso município, de formação dos nossos técnicos, para que efetivamente este brincar dentro do espaço, dentro da lógica da escola a tempo inteiro, tenha um espaço também importantíssimo”, afirmou.
O autarca sublinhou a necessidade de uma abordagem abrangente, que envolva diferentes áreas na criação de ambientes favoráveis ao desenvolvimento das crianças: “Há que juntar aqui mais operacionais, há que juntar aqui também a parte da arquitetura, no desenho da construção das escolas, no desenho da construção dos passeios, no desenho dos projetos educativos dentro das escolas, no conceito total”, defendeu.
Para Ricardo Cruz, o conceito de “aprender brincando” deve assumir um papel central nas políticas educativas locais. “Podemos ter escolas com muito investimento, com as melhores instalações, com os melhores diretores, mas se não tivermos um foco bem direcionado naquilo que é o mais importante, que são os alunos e as crianças, não conseguimos progredir”, afirmou, destacando de igual modo o papel das famílias neste processo.
Brincar como estratégia transformadora nas políticas educativas
A sessão contou também com a intervenção da secretária de Estado da Administração Escolar, Maria Luísa Oliveira que enalteceu o percurso do município e a relevância do tema em debate. “Valorizar a brincadeira não é um gesto simbólico, é uma estratégia, e é uma estratégia com uma visão continuada e transformadora da vida das crianças e também das suas comunidades educativas”, começou por referir.
Para Maria Luísa Oliveira, “este tema, parecendo muito simples, é um tema profundo. Brincar é uma linguagem universal da infância”. Por isso, alertou para os riscos de limitar a criatividade das crianças: “somos nós que, com determinadas regras e exigências, limitamos a criatividade das crianças”, defendendo a importância de permitir maior liberdade desde os primeiros anos.
Em Tábua, Maria Luísa Oliveira considerou que “é muito importante que o município tenha presente, na sua política educativa, desde a creche e jardim de infância, a importância de deixar fluir o que a criança tem dentro de si”. Reforçou também o papel do brincar no desenvolvimento integral, porque “a criança brinca para entender o mundo, para desenvolver competências sociais, emocionais e cognitivas, para construir relações de confiança”. E alertou: “uma criança que está sempre a ser limitada acaba por não ter autoconfiança”.
O encontro prossegue até amanhã com sessões de trabalho e partilha de boas práticas entre os quase 30 municípios representados, reforçando o compromisso das cidades educadoras com políticas públicas centradas nas crianças e no seu desenvolvimento pleno.





































