Na sequência de uma “declaração de imprescindível utilidade pública” para a Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) que a Sonae Arauco pretende construir no concelho de Oliveira do Hospital, emitida pelo Governo, e que prevê o abate de 508 sobreiros, a fábrica compromete-se a plantar “mais de cinco vezes o número de árvores impactadas”.
Segundo a notícia avançada pelo jornal Expresso, a declaração assinada pelos secretários de Estado do Ambiente, João Esteves, e das Florestas, Rui Ladeira, autorizava o abate de 172 sobreiros adultos e 336 jovens.
Numa nota de esclarecimento a que a Rádio Boa Nova teve acesso, fonte oficial da Sonae Arauco refere que “o projeto foi concebido para promover a viabilidade técnica de instalação de um projeto de energia renovável solar para autoconsumo na fábrica de Oliveira do Hospital e para assegurar um impacto ambiental positivo na floresta nacional”. “Neste sentido, aumentamos consideravelmente a área com presença de sobreiros, passando de 2,8 hectares para 6,35 hectares, ao mesmo tempo que evitamos a implementação da UPAC no Vale do Alva, utilizando os telhados e estacionamento da unidade industrial e um terreno adjacente à mesma”, explica.
A fábrica sediada em Oliveira do Hospital garante ainda que “a área a plantar excede em muito o que é exigido legalmente, demonstrando o compromisso da Sonae Arauco com a preservação florestal”. Segundo a mesma, “no total serão plantados 2.648 sobreiros, representando mais de cinco vezes o número de árvores impactadas”.
De acordo com a mesma fonte, “esta intervenção ocorrerá numa área florestal gerida pela Sonae Arauco, em terrenos afetados pelos incêndios em 2024” e “a empresa compromete-se a assegurar a plantação das novas árvores, bem com a valorização desta área florestal, em linha com as melhores práticas de gestão e contribuindo inclusive para a recuperação dos ecossistemas”.
Recorde-se que, na declaração publicada em Diário da República, o Governo sublinha a “inexistência de alternativas válidas” para a localização da unidade, devido às “características paisagísticas e topográficas da envolvente à unidade industrial” e ao facto de as unidades de autoconsumo terem de ficar próximas dos pontos de consumo.
Note-se que, em causa está uma central solar com 13,3 megawatts de capacidade, a instalar em terrenos adjacentes à fábrica da Sonae Arauco. O investimento é de 8,5 milhões de euros e integra uma aposta de mais de 50 milhões de euros na modernização da unidade industrial.
A fábrica emprega atualmente mais de 200 pessoas de forma direta e garante ainda cerca de 600 empregos indiretos.
O Governo justifica a decisão com “o relevante interesse público, económico e social do empreendimento em causa, bem como a sua sustentabilidade”, explicando que o projeto vai contribuir, por um lado, para as estratégias de descarbonização e de eficiência energética da empresa e, por outro, para a prossecução dos objetivos nacionais.




























