O incêndio de 15 de outubro provocou a perda de 50 por cento dos ovinos Serra da Estrela no concelho de Oliveira do Hospital,…
… situação que compromete a produção do leite e do Queijo Serra da Estrela. A ameaça vem de toda a região produtora do afamado queijo, já que “praticamente todos os concelhos foram afetados pelos incêndios”.
Numa primeira avaliação ao que aconteceu no concelho, Pedro Couceiro da Confraria do Queijo Serra da Estrela espera que a produção daquela maravilha da Gastronomia portuguesa não esteja em risco. No entanto, não deixa de considerar estar diante do “fenómeno que mais põe em causa” o Queijo Serra da Estrela “pela perda de animais e falta de alimento”. “Sem pasto e sem alimento seco não há leite e se não há leite não há queijo”, alerta o responsável, prevendo que, nos próximos tempos, a situação esteja “um pouco complicada”. Até agora, o problema tem vindo a ser minimizado pela ajuda da Câmara Municipal e solidariedade “nunca vista”, que se tem revelado numa “excelente ajuda”, mas “dentro de uma semana ou duas vai diminuir e os animais comem todos os dias”.
Até ao dia 15 de outubro, só o concelho de Oliveira do Hospital contava com um efetivo de ovinos Serra da Estrela superior a oito mil animais. O número, agora, é de metade e “será preciso muito tempo para repor o efetivo”, já para não falar daquela que será a vontade dos produtores para manter a atividade. Se Pedro Couceiro acredita que os mais novos terão força para continuar, o mesmo já não pensa relativamente aos mais idosos. “Tenho alguma dúvida de que tenham coragem”, refere.
Diante de tamanha tragédia, Pedro Couceiro diz ser esta a hora de o Governo “olhar para o interior e para o Queijo Serra da Estrela com outros olhos”. “Chegou a hora de entenderem que esta é uma atividade fundamental”, refere, verificando que o Queijo Serra da Estrela é, para além do turismo, “das poucas coisas que temos para oferecer”. “É uma pequena pérola que não podemos perder”, defende o responsável.