Num périplo pelos 20 concelhos com maior área ardida nestes últimos incêndios, o Secretário de Estado da Proteção Civil visitou, esta quarta-feira (10), Oliveira do Hospital. Depois de uma reunião com o presidente do Município oliveirense, corporações de bombeiros do concelho e elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil, Rui Rocha remeteu para mais tarde a avaliação da prestação do Comando Operacional Nacional, uma vez que o dispositivo especial de combate a incêndios ainda se encontra “em funcionamento”.



Confrontado com as inúmeras críticas de que foi alvo o Comando Nacional na coordenação do combate ao incêndio que começou no Piódão e na gestão de meios, Rui Rocha diz “querer acreditar” que todas as decisões foram tomadas no sentido de extinguir rapidamente o fogo. “Será feita uma avaliação mais profunda do ponto de vista operacional. Não é o tempo ainda, mas há-de ser feita”, sublinhou.
A considerar que a prevenção continua a ser a principal chave para o combate aos incêndios, o governante recordou o “enquadramento e as circunstâncias difíceis” daqueles dias, nomeadamente “a intensidade, a velocidade e a projeção do fogo, as condições meteorológicas e os ventos convetivos”. A recusar admitir falta de meios, o responsável recordou também “a simultaneidade de incêndios, alguns que duraram vários dias como este”. “Chegámos a ter noites com 40 ignições”, disse.
Perante críticas das populações e autarcas, Rui Rocha não tardou em afirmar que “nunca vai existir um carro e um bombeiro para colocar ao lado de todas as casas”. Considerou também “injustas” as críticas feitas aos bombeiros, pois eles “foram inexcedíveis” e “deram tudo de si a favor dos outros”.
A partir do Centro Municipal de Proteção Civil de Oliveira do Hospital, que o Secretário de Estado considerou “de qualidade e de um grandeza” que “demonstra uma autarquia bem posicionada”, Rui Rocha explicou que a sua visita ao território teve como propósito “o reconhecimento e o agradecimento do desempenho do presidente do Município e dos bombeiros em momentos críticos e dramáticos”. Destacou a “ação preponderante e essencial da autarquia” e das “Associações Humanitárias e seus corpos de bombeiros”.
Despesas extraordinárias pagas às corporações de bombeiros
Um dos outros propósitos da visita do Secretário de Estado foi anunciar, às corporações de bombeiros de Oliveira do Hospital e de Lagares da Beira, o pagamento de “despesas extraordinárias” decorrentes do combate a este grande incêndio.
Segundo Rui Rocha, “a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), sob orientação da secretaria de Estado da Proteção Civil, está a agilizar um conjunto de procedimentos para garantir maior celeridade para o ressarcimento das despesas ou adiantamento” do pagamento anual. Nas últimas semanas, já foram pagos mais 1 milhão de euros”.
José Francisco Rolo: “Não é à toa que ardem 4 605 hectares”
Considerando-se como “um dos protagonistas das críticas”, o autarca de Oliveira do Hospital voltou a criticar a falta de meios, sobretudo aéreos, e a coordenação no combate às chamas. “Não é à toa que ardem 4 605 hectares”, frisou. Rolo não aceita a “forma como o fogo foi gerido”.
Por outro lado, o presidente da autarquia reconhece o desempenho das corporações locais que “conhecem e movimentam-se bem no território que lhes é familiar”, ao contrário dos bombeiros oriundos de outras partes do país, como da “grande Lisboa”.
“Eu vi o fogo a atravessar o rio e a entrar na malha urbana de Alvoco, serem pedidos meios aéreos e eles não virem. Foi preciso chegarmos ao extremo para chegar um helicóptero”, lembrou, considerando que “aquilo que se passou no Parente entra no domínio do absurdo”. “O fogo lavrava livremente e era proibido que passasse a Estrada Nacional 230”, explicou.
A recordar “o momento traumático de 2017”, José Francisco Rolo não tem dúvidas de que, “com outra gestão de meios, particularmente aéreos, teríamos muito menos área ardida”.
Para além de José Francisco Rolo, Rui Rocha e elementos das corporações de bombeiros, estiveram presentes José Manuel Moura, presidente da ANEPC, Luís Barreiros, dirigente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Luís Barreiros. Marcaram também presença o Presidente da Assembleia Municipal, José Carlos Alexandrino, o coordenador municipal de Proteção Civil, José Carlos Marques, e elementos do Gabinete de Proteção Civil e Gestão de Riscos da autarquia.


































