A professora, escritora e artista plástica Lucinda Maria, falecida esta semana aos 74 anos, foi a convidada de um dos primeiros episódios do podcast “Agora é que me livro”, onde traça, em conversa com Mafalda Correia, um retrato íntimo da sua relação com a leitura, a escrita, o ensino e a língua portuguesa. A franqueza que a caraterizava e a paixão pelos livros que a caraterizavam transparece ao longo do diálogo, onde deixa também críticas à evolução da língua e um olhar pessoal sobre a literatura contemporânea.
Logo no início, Lucinda Maria assume a centralidade da criação no seu quotidiano: “Dia que eu não pinto alguma coisa e que eu não escrevo alguma coisa, não é dia para mim”. A frase resume uma vida dedicada às artes, seja através da escrita, seja na pintura, atividades que diz praticar diariamente. De leitora compulsiva a autora A entrevista recupera memórias de infância marcadas pela escassez de livros, mas também por uma curiosidade insaciável. “Fui uma leitora compulsiva e daí à escrita foi um saltinho”, recorda, sublinhando que lia “tudo o que lhe aparecia à frente”.
Num dos episódios mais ilustrativos dessa fase, descreve como aproveitava qualquer oportunidade para ler, até jornais usados em casa para secar o chão enquanto limpavam: “Lá em casa, o soalho era de madeira e, depois de ser lavado, punham jornais no chão para ir secando, para que não ficassem marcas de passos. E eu aproveitava esses momentos: andava por cima dos jornais a lê-los, tudo o que estivesse ali, porque eu lia tudo o que me aparecia à frente”. Essa relação precoce com a leitura viria a traduzir-se numa obra literária com vários livros publicados, ainda que a autora rejeite uma visão formal da escrita: não escreve com o objetivo de editar, mas por necessidade.
Ouça todo o episódio em todas as plataformas de podcasts.
































