O presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM/RC), José Carlos Alexandrino, disse que os autarcas não podem assumir responsabilidades …
… que não lhes pertencem em termos de Proteção Civil e que são do Governo.
À agência Lusa, José Carlos Alexandrino referiu que “não podemos imputar as responsabilidades todas aos autarcas como não haja outros responsáveis políticos no país e outros responsáveis governativos”. “Os meios que dispomos em termos da Proteção Civil são muito escassos e por isso é que existe um ministro da Administração Interna e por isso é que existe um secretário de Estado da Proteção Civil. É porque há responsabilidades nossas, mas também há responsabilidades mais acima”, disse à Lusa José Carlos Alexandrino, que é também presidente da autarquia socialista de Oliveira do Hospital.
Em declarações à margem da inauguração da feira Expofacic, em Cantanhede, no distrito de Coimbra, sobre a polémica entre o presidente da Câmara de Mação (Santarém), Vasco Estrela, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o presidente daquela que é a maior comunidade intermunicipal do país disse que tanto as autarquias como o Governo têm “de fazer uma aprendizagem” sobre como lidar com os incêndios.
Sobre a polémica após os fogos que assolaram Vila de Rei e Mação, o presidente da CIM/RC frisou que numa altura “às vezes difícil” e com a “complexidade” de que se revestem os incêndios “todos ralham e ninguém tem razão”.
Ainda em relação a responsabilidades imputadas a autarcas, José Carlos Alexandrino lembrou que nos incêndios de junho 2017 em Pedrógão Grande três autarcas ficaram como “bodes expiatórios” e vão responder em tribunal “por homicídio por negligência” por causa de uma lei “que no país todo ninguém cumpria”, já que os municípios não tinham condições financeiras nem mecanismos para entrar em terrenos privados e fazer cumprir a legislação, argumentou.
José Carlos Alexandrino disse ainda que no incêndio que deflagrou no sábado em Vila de Rei, e que depois se propagou a Mação, existiram “muitos recursos”, algo que não sucedeu em outubro de 2017 em Oliveira do Hospital, em que a devastação provocada pelas chamas atingiu 97% daquele território do interior do distrito de Coimbra.
“Se tem havido uma boa intervenção [em 2017], o meu concelho não tinha ardido. Temos de dar resposta, temos de planear de forma diferente, temos de nos organizar de maneira diferente, porque já percebemos que as respostas do passado não dão, porque estamos a lidar com focos de incêndio com características absolutamente diferentes”, argumentou o presidente da CIM Região de Coimbra.