Volvidos oito anos da grande tragédia que assolou o concelho de Oliveira do Hospital, a 15 de outubro de 2017, o Município lembrou as 13 vidas destruídas pelo fogo.
Andrew James Smiler, António Peres Costa, Bernarda Matias, Cristiana Brito, Isilda Garcia, João Costa, Maria Celeste Alves, Maria da Graça Costa, Maria Fernanda Augusto, Maria Rosa Marques, Paulo Costa, Pedro Neves e Ramiro Faria perderam a vida na maior tragédia de que há memória no concelho. Foram lembradas, esta quarta-feira (15), numa cerimónia evocativa que, anualmente, se realiza neste dia.
Tendo em conta o “peso que esta efeméride tem no concelho”, José Francisco Rolo diz que “podemos dividir a história contemporânea de Oliveira do Hospital entre antes de outubro de 2017 e depois de outubro de 2017”.
Junto ao “Mural em Memória do Grande Incêndio” no quartel dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital e depois do toque da sirene, o presidente da autarquia afirmou que, este momento “pesado e de muita comoção” é para “relembrar obviamente as vítimas”, mas também o rasto de destruição em “casas, empresas e propriedades”.
A recordar que “98 por cento da superfície florestal foi varrida”, Rolo lembra um “fogo brutal, tocado por um vento fortíssimo, em resultado do furacão Ophelia que, numa noite inteira, varreu o concelho de Oliveira do Hospital”.
Para José Francisco Rolo esta é também uma “oportunidade para não deixar apagar a memória e também homenagear aqueles que resistiram e que ajudaram no renascimento de um concelho que estava verdadeiramente afetado”.
“Foi preciso juntar forças e recursos para recuperar um concelho inteiro”, recordou, ao mesmo tempo que agradecia, de novo, “a todos aqueles que foram generosos para com Oliveira do Hospital”. Agradeceu também aos Bombeiros e ao setor da saúde, que foram determinantes durante e pós incêndio.
Esta quarta-feira, o executivo municipal depositou coroas de flores nos cemitérios onde as vítimas estão sepultadas: Avô, Ervedal da Beira, Nogueira do Cravo, São Gião, São Paio de Gramaços, Cemitério Novo de Oliveira do Hospital, Travanca de Lagos e Vila Pouca da Beira.
Os sinos das igrejas tocam 13 badaladas e foram acesas 13 velas em memória das vítimas. Seguiu-se a celebração de uma missa na Igreja Matriz de Oliveira do Hospital.
Em 2025, a história repetiu-se
Em agosto deste ano, a zona sul do concelho, os vales do Alva e do Alvoco, foram fortemente afetados pelo grande incêndio que veio do Piódão. Em setembro, o fogo dizimou a zona norte, as freguesias de Seixo, Ervedal e Vila Franca da Beira. Ainda que, com dimensão inferior, há quem diga que foi uma repetição de 2017 mas em câmara lenta.
O presidente do Município acredita que o concelho tirou lições do passado e está, hoje, melhor preparado. “Hoje temos mais disponibilidade para mecanismos de autoproteção e autoorganização das comunidades”, referiu, afirmando que, em agosto, os oliveirenses adotaram “outra postura para se protegerem”.
Agora “há um longo caminho para percorrer e recuperar inteiramente aquilo que era a paisagem de Oliveira do Hospital”.
A opinião foi partilhada por José Carlos Alexandrino, presidente da autarquia aquando do grande incêndio. O agora presidente da Assembleia Municipal recordou o “momento mais difícil e mais triste” dos seus mandatos, sublinhando que o concelho “aprendeu a lição” e que, prova disso é que, este ano, não houve vítimas a lamentar.
“Quando alguém morre é uma grande derrota para um autarca e para um concelho. É possível recuperar bens, mas as pessoas já não voltam”, disse.




































