O novo calendário apontado para o projeto de execução do IC6 voltou a estar em discussão na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, realizada na passada sexta-feira (25). Em resposta ao líder da bancada do PS, Raul Costa, o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, confirmou que o Município foi surpreendido pela indicação de que a conclusão do processo poderá ser empurrada para 2028, depois de, em maio, ter recebido das Infraestruturas de Portugal (IP) a garantia de que o processo estaria concluído até ao final deste ano.
Raul Costa começou por recordar os mais de 30 anos de reivindicações em torno da concretização do IC6, considerando que a infraestrutura “deveria estar feita”. Para o líder da bancada socialista, trata-se de “uma dívida de vários governos a Oliveira do Hospital e esta região”.
O deputado municipal sustentou que a conclusão do IC6 é determinante para o desenvolvimento económico do concelho, para a atividade empresarial, para o turismo e para o acesso aos cuidados de saúde. Recordou igualmente os investimentos realizados na zona industrial de Oliveira do Hospital e a existência de empresas e jovens que, segundo afirmou, pretendem continuar a investir e viver no concelho.
A preocupação central surgiu, contudo, perante a informação de que a Avaliação de Impacte Ambiental poderá apenas ficar concluída em 2028, adiando para 2029 novos desenvolvimentos no processo. “Também sabemos que 2029 é ano de eleições e esperamos não ser coincidência”, afirmou Raul Costa.
O deputado questionou o presidente da Câmara sobre a existência de novidades relativamente ao calendário do IC6 e deixou um apelo para que não se sucedam novos adiamentos. “Ontem era para o final de 2026, hoje para 2028. Concurso ou não, obra ou não, pedimos justiça pelas pessoas que cá vivem e resistem”, rematou.
José Francisco Rolo diz que Município foi surpreendido pela alteração do calendário
José Francisco Rolo respondeu que a conclusão do IC6, particularmente do troço com ligação à zona industrial de Oliveira do Hospital, continua a ser uma prioridade para o Município.
“Falta-nos de facto o IC6, e particularmente o IC6 com o nó na zona industrial de Oliveira do Hospital. Isso é prioritário”, afirmou.
O presidente da Câmara explicou que, no passado dia 12 de maio, o executivo municipal e os serviços técnicos da autarquia reuniram com as Infraestruturas de Portugal. “Foi-nos apresentado a versão final do projeto e o calendário. Aquilo que nos foi dito é que, no limite dos limites, este processo ficava terminado em dezembro de 2026”, declarou.
Foi precisamente por isso que Rolo disse ter recebido com surpresa as informações entretanto divulgadas na comunicação social, segundo as quais o processo teria sido prolongado. “Somos surpreendidos naturalmente pelas declarações vindas a público na TSF, por alguém da IP, a dizer que o processo tinha sido empurrado para 2028”, afirmou.
Perante essa alteração, o Município decidiu solicitar esclarecimentos ao presidente do Conselho de Administração das Infraestruturas de Portugal. Segundo o presidente, a autarquia pretende saber qual é o estado efetivo do projeto de execução, qual a razão para a alteração do prazo da avaliação ambiental e qual é, neste momento, o calendário previsto para a conclusão do projeto que permita avançar para a construção.
José Francisco Rolo criticou sobretudo a ausência de comunicação formal por parte das Infraestruturas de Portugal. “Há poucos meses atrás, em maio, foi-nos dito que o processo seria encerrado no final do ano. E, à revelia de qualquer comunicação, qualquer movimento de diálogo, percebemos, pela comunicação social, que o processo foi empurrado”, afirmou.
O autarca garantiu que continuará a trabalhar com os municípios da região para pressionar pela concretização da infraestrutura, referindo contactos conjuntos com os presidentes das Câmaras de Tábua e Seia.
Rolo enquadrou ainda o IC6 numa realidade mais ampla de desigualdade no acesso a grandes infraestruturas. “Enquanto outros debatem linhas de alta velocidade, estações intermodais, plataformas intermodais ferroviárias (…), nós não estamos aqui a pedir nenhuma autoestrada. Estamos a pedir que substituam a velha Nacional 17, a velha estrada real, a velha estradas da beira, pelo itinerário complementar”, afirmou.






























