Preocupado com o futuro dos pastores e com a sustentabilidade da sua atividade profissional, o Município de Tábua decidiu comparticipar em cinco euros as vacinas a bovinos, pagar 50 euros por perda animal devido a ataques de errantes e manter os protocolos de financiamento de vacinação a ovinos e caprinos, numa parceria com a ANCOSE – Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela.
Numa sessão realizada no Salão Nobre da autarquia e perante alguns pastores do concelho, Ricardo Cruz anunciou algumas medidas para “melhorar condições” do “mundo rural”. “Os autarcas não devem estorvar, mas sim acrescentar. Desde que tomámos posse, em 2021, temos vindo a melhorar as condições e queremos assumir já uma carta de compromissos para 2026”, disse o presidente da Câmara Municipal de Tábua.
Segundo o autarca, em 2024 e em 2025, o Município investiu mais de 44 mil euros em apoios diretos e indiretos nesta área. Em vacinação de ovinos e caprinos foram gastos cerca de 17 700 euros. “Pontualmente”, a autarquia concede ainda outro tipo de apoios. Por exemplo, auxiliou três explorações com “fornecimento de energia elétrica e ampliação de abastecimento de água”, com investimento municipal a rondar os 10 mil euros. “É apenas uma gota de verba perante o vosso trabalho”, disse Ricardo Cruz, dirigindo-se aos pastores e produtores.
No arranque de 2026, o autarca afirma que “é possível dar mais um passo e contribuir mais”. Perante as 174 explorações do concelho, o Município compromete-se a manter o protocolo de pagamento de vacinas a ovinos e caprinos e a comparticipar cinco euros (de um total de 15) para vacinação dos cerca de 400 bovinos. “Até 2029 queremos tentar avançar com o pagamento total”, frisou. Paralelamente, a autarquia disponibiliza-se ainda para compensar a morte animal, face a ataques de errantes, com 50 euros por cabeça, sendo que a ANCOSE já paga outros 50 euros.
Considerando que parte do concelho de Tábua pertence à Região Demarcada da Serra da Estrela, o executivo pretende continuar a apostar neste tipo de apoios para “minimizar o impacto” que este setor sofre. Segundo Ricardo Cruz, a autarquia vai lançar um estudo que permita “contribuir para a aquisição de espécies autóctones”.
ANCOSE preocupada com futuro do setor
Na ocasião, Manuel Marques, presidente da ANCOSE, teceu rasgos elogios à Câmara de Tábua, que “prefere ajudar os pastores em vez de fazer uma rotunda”.
Na sua “função de defender os interesses dos pastores e produtores” e “tentar que a atividade tenha mais sustentabilidade e rendimento”, o responsável lamentou que, “nos últimos 10 anos, o número efetivo de animais tenha reduzido para metade”. Manuel Marques teme, inclusive, o fim das espécies autóctones. “Seria a minha morte pessoal”, disse.
Por outro lado, o presidente da ANCOSE considera que a atividade continua a não ser atrativa para as gerações mais novas. “Nesta profissão não há sábados nem domingos”, disse, salientando que são os pastores que “ajudam a enriquecer o interior do país”.
































