Hoje não haverá episódio novo do Agora é que me livro! Não poderia haver, não quando a Lucinda nos deixou há menos de 48h. Não quando ela própria foi uma das grandes apoiantes deste programa. A segunda entrevista que realizei. O terceiro episódio de mais de 150.
Detesto estar a escrever este texto, mas a minha própria mente exige que o faça, porque está a navegar para muitos sítios ao mesmo tempo. Recuo a 2022, ao início da nossa amizade, quando foi júri de um concurso literário em que participei. Ficámos amigas desde aí, porque ela sempre achou piada a eu ser tão novinha e gostar de escrever.
Depois, encontrávamo-nos todos os meses no Clube de Leitura, onde era uma das maiores figuras. Como é que podemos aproveitar do clube daqui para a frente, sabendo que falta a Lucinda? Ela, que trazia sempre as biografias dos autores e contava imensas histórias sobre Oliveira do Hospital, um dos seus maiores orgulhos.
É do Clube e dos mil e um encontros de poesia que guardo as melhores memórias da Lucinda. Lembro-me de um dia me dizer que se revia em mim, que éramos muito parecidas. A vida tem-me dado, felizmente, muitos bons tutores e a Lucinda é um deles.
Obrigada, querida amiga. Pelo apoio, incentivo, trocas de livros, conhecimento, poemas e tanta, tanta cultura. Obrigada por tanto e pelo tanto que ficou por fazer e dizer.
Não sei quem me enviará agora um bonequinho a desejar boa noite, quase todas as noites. Não sei quem me chamará “ querida amiguinha”. Mas isto não é, nem pode ser, sobre mim.
Tantas saudades que ficam que as palavras, as suas melhores amigas, não são suficientes, mas escrevo, porque essa era a sua solução para quase tudo.
Tanto que fica por escrever, mas também ela era tanto! Era-nos tanto…Junta-se, agora, à Florbela, ao Saint-Exupéry e à Frida.
Mafalda


































