A Região Metropolitana de Coimbra apresentou, ontem, na Praia Fluvial da Peneda, em Góis, o projeto europeu LIFE LUDWIGIA, uma iniciativa que pretende prevenir, detetar e controlar espécies de flora invasora nos cursos de água da região, ao mesmo tempo que promove a recuperação dos habitats afetados.
Coordenado pela Região Metropolitana de Coimbra, o projeto decorrerá entre junho de 2026 e maio de 2031 e representa um investimento elegível de cerca de 2,61 milhões de euros. Deste montante, mais de 1,56 milhões de euros serão financiados pela União Europeia.
Segundo a entidade promotora, o LIFE LUDWIGIA foi o único projeto português aprovado na convocatória LIFE 2025 na área da Natureza e Biodiversidade e reúne seis entidades beneficiárias.
A estratégia assenta em quatro áreas de intervenção – prevenção, deteção precoce, controlo e restauro – recorrendo a ferramentas como a recolha de ADN ambiental (eDNA), deteção remota, informação geoespacial e ciência cidadã para identificar rapidamente novos focos de espécies invasoras.
O projeto prevê igualmente ações de remoção das plantas invasoras, gestão segura da biomassa resultante dessas intervenções e recuperação dos ecossistemas através da utilização de espécies de flora nativa.
Entre os objetivos definidos estão a redução em 90% da área invadida até ao final da execução, a deteção precoce de 12 novos focos de invasão, a proteção de cinco espécies nativas e a recuperação de 25,08 quilómetros quadrados de habitats degradados.
Um dos resultados mais relevantes será a colocação de 671 quilómetros de cursos de água sob gestão permanente, através da criação de uma estrutura regional dedicada ao acompanhamento e intervenção contínua nestes ecossistemas.
Para garantir essa capacidade operacional, serão criadas três equipas territoriais com bases em Soure, Tábua e Lousã, além de três unidades de biossegurança, depósitos para armazenamento seguro da biomassa removida e um viveiro de flora nativa. Estas estruturas serão apoiadas por sistemas de monitorização e gestão de dados.
A apresentação pública contou com a presença da presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, do secretário executivo Jorge Brito, do presidente da Câmara Municipal de Góis, Rui Sampaio, do diretor regional do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Paulo Farinha Luís, do administrador da ARH Centro, Nuno Bravo, e de representantes das restantes entidades parceiras.
Na apresentação do projeto, a Região Metropolitana de Coimbra destacou a necessidade de uma resposta conjunta à ameaça das espécies invasoras, sublinhando que “os rios não terminam nos limites administrativos dos concelhos” e que “as espécies invasoras também não”.
A entidade considera que o LIFE LUDWIGIA permitirá transformar a experiência acumulada na região numa capacidade permanente para “prevenir, detetar, intervir e restaurar”, contribuindo para a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas aquáticos do território.































