A Junta de Freguesia de Meruge considera que “a despoluição do Rio Cobral só será efectiva quando se eliminarem as fontes poluidoras”, defendendo que o combate à poluição do curso de água deve passar pela eliminação das descargas poluentes e não apenas por intervenções de renaturalização.
A posição consta de um comunicado divulgado na sequência da reunião realizada a 31 de julho, na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, convocada para discutir a situação do Rio Cobral e a proposta de renaturalização apresentada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A Junta afirma que “a transformação do Rio Cobral em esgoto a céu aberto deve-se, comprovadamente, às impunes descargas poluentes das empresas de lacticínios da Catraia de S. Romão/Carragosela”, defendendo que o problema tem origem nas unidades industriais localizadas no concelho de Seia.
A autarquia recorda que, ao longo dos últimos anos, tem insistido na realização de reuniões entre os municípios envolvidos e as entidades fiscalizadoras, sublinhando que a mobilização da população e a mediatização do caso contribuíram para manter o tema na agenda pública. Entre essas iniciativas destaca a reportagem da SIC, artigos publicados no Público, notícias na comunicação social regional, uma moção aprovada pela Assembleia Municipal e uma petição pública subscrita por milhares de cidadãos.
A Junta refere ainda que, na reunião realizada a 17 de junho, a APA informou que as quatro fábricas de queijo da Catraia de S. Romão/Carragosela tinham autorização para descarregar efluentes no Rio Cobral e que todas possuíam “controlo analítico e boletins de descarga em dia”.
Contudo, questiona essa informação, afirmando que “de Janeiro de 2026 até Junho, a poluição no Rio Cobral nunca tenha sido tão intensa, com descargas diárias, odores nauseabundos, água branca do sorelho, espuma densa e constante”. Segundo o comunicado, perante essa situação, a APA comprometeu-se a instalar “medidores de monitorização” nas fábricas para avaliar as cargas poluentes descarregadas no rio.
Na reunião de 31 de julho, que contou com representantes da APA, da SEPNA, das câmaras municipais de Oliveira do Hospital e de Seia e da Junta de Freguesia de Meruge, a autarquia esperava conhecer os resultados dessa monitorização. No entanto, afirma que “nem uma palavra” foi dita sobre o assunto.
Em vez disso, acusa a APA de ter apresentado “o ‘rebuçado’ do projecto da ‘renaturalização do Rio Cobral'”, considerando que a proposta representa uma “fuga para a frente”. Para a Junta, “se é importante limpar as margens e o leito do Rio Cobral, claro que é. Mas não é o Rio que se polui a si próprio, são as fábricas de lacticínios. O que resolve é agir sobre as fontes poluidoras e não lançar projectos sonantes para fazer esquecer que elas existem”.
No comunicado, a autarquia recorre ainda a uma comparação para ilustrar a sua posição, afirmando que a proposta de renaturalização “faz lembrar a história do paciente que necessita de antibiótico para debelar uma infecção galopante e o médico, em vez de lho ministrar, manda cortar as unhas e o cabelo ao enfermo, para que morra asseado”.
A concluir, a Junta de Freguesia de Meruge garante que “não contem com a Junta de Freguesia de Meruge para ‘encenações mediáticas’ e ‘operações de cosmética'”, reiterando que “a despoluição do Rio Cobral só será efectiva, quando se eliminarem as fontes de poluição”.































