O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, exige esclarecimentos sobre o novo calendário para a conclusão do projeto do IC6, depois de a Infraestruturas de Portugal (IP) ter indicado à TSF que a Avaliação de Impacto Ambiental do troço Tábua/Oliveira do Hospital/Folhadosa só deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2028.
À margem da cerimónia de lançamento da primeira pedra da futura unidade da empresa Pedro e Miguel Metal, Lda., na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, o autarca manifestou surpresa perante a informação que foi veiculada, considerando que contraria o que lhe tinha sido transmitido pelo Governo em junho.
“Deve haver algum erro”, afirmou José Francisco Rolo, lembrando que, segundo a informação que lhe havia sido comunicada no mês de junho, “o projeto de execução do IC6, base para o lançamento do concurso, estaria concluído no limite até ao final do ano, acompanhado da respectiva declaração de impacto ambiental”.
Para o presidente da Câmara, a informação agora divulgada entra em contradição com as garantias anteriormente transmitidas às autarquias. “As notícias que hoje vieram a público vêm contrariar aquilo que nos foi dito”, afirmou.
José Francisco Rolo admite duas explicações para a divergência entre a informação recebida em junho e a agora avançada pela Infraestruturas de Portugal (IP): “Ou há dados novos que não foram comunicados e não é positivo, ou seja, disseram-nos uma coisa em junho e agora é dito outra coisa, ou há alguém que não se entende entre as Infraestruturas de Portugal e a Agência Portuguesa do Ambiente.”
Para o autarca oliveirense, o prolongamento do processo tem consequências concretas para a região e para o país. “Quem está a ser penalizado com isto, com este arrastar do processo, objetivamente, quem está a ser prejudicado é o país, os empresários, as instituições e os cidadãos”, afirmou.
O autarca associou ainda a necessidade de concretização do IC6 à capacidade da região para atrair e fixar investimento. “Há pessoas que querem aqui viver, querem aqui construir o seu projeto de vida, há empresários que aqui querem investir, criar riqueza, criar postos de trabalho e dar dignidade à vida nesta parte de Portugal”, sublinhou. Deu o exemplo da nova unidade da Pedro e Miguel Metal, Lda., que é demonstrativo da capacidade de iniciativa empresarial existente no concelho.
Rolo recordou que a reivindicação pela conclusão do IC6 não é recente. “Há 30 anos que esta região pede a conclusão do itinerário complementar número 6”, afirmou.
O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital fez questão de distinguir a reivindicação regional de outras grandes obras rodoviárias. “Ninguém está a pedir uma autoestrada, ninguém está a pedir a supressão de portagens”, frisou. Em causa está, segundo o autarca, a substituição da atual EN17, a Estrada da Beira, por uma ligação rodoviária adequada às necessidades atuais. “Estamos a pedir a conclusão do IC6 para substituir a velhíssima Estrada Nacional 17”, afirmou, considerando que a atual via mantém um traçado muito antigo.
Para José Francisco Rolo, a demora na concretização do IC6 traduz uma “dívida do Estado” para com o território.































