A Ilha do Picoto, em Avô, no concelho de Oliveira do Hospital, voltou a ficar parcialmente submersa na sequência das cheias provocadas pela subida do caudal do rio Alva, associada às recentes condições meteorológicas adversas. O espaço emblemático da freguesia, muito procurado durante a época balnear, foi novamente afetado pela força da água, que arrastou areia, madeira e outros detritos.


Em declarações à Rádio Boa Nova, o presidente da Junta de Freguesia de Avô, Manuel Pimentel, sublinhou que esta é uma situação recorrente nesta altura do ano.
“É o habitual nesta época. As cheias aqui sempre existiram, sempre houve cheias grandes em Avô e no Picoto. Esta é mais uma”, afirmou.
O autarca explicou que, atualmente, os prejuízos são mais significativos devido às infraestruturas existentes no local. “Antigamente havia cheias, mas os prejuízos não eram tão grandes porque não havia relvado, não havia rega, não havia estas infraestruturas. Era tudo natural, a água vinha e depois a natureza fazia o seu trabalho”, referiu.
Segundo Manuel Pimentel, os investimentos necessários para a recuperação da ilha são elevados e suportados maioritariamente pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. “A junta de freguesia não tem condições financeiras para fazer estes investimentos. O grande investimento é feito pela Câmara, que todos os anos aplica aqui dezenas de milhares de euros”, salientou.
O presidente destacou ainda que a cor castanha da água e a quantidade de madeira arrastada são consequência dos incêndios registados no verão de 2025.
Relativamente ao futuro, Manuel Pimentel revelou que está em preparação um projeto, em parceria com a Universidade do Porto, com o objetivo de minimizar os impactos das cheias. “A ideia é encontrar soluções para que a água possa fluir melhor e não crie remoinhos nesta zona. Não vamos evitar as cheias, porque elas sempre existiram, mas acreditamos que é possível minimizar os estragos”, afirmou.
O autarca mostrou-se confiante de que, como acontece todos os anos, a ilha voltará a ser recuperada a tempo do verão.
No local estiveram também elementos da Proteção Civil e responsáveis municipais a acompanhar a situação, numa altura em que a região continua sob alerta para a possibilidade de novas cheias no rio Mondego e nos seus afluentes, entre os quais o rio Alva.
































