A Festa do Queijo Serra da Estrela de Oliveira do Hospital decorre, este fim-de-semana, para “homenagear uma atividade que oferece um dos melhores produtos gastronómicos do mundo”.


Na cerimónia de inauguração do evento em que o Queijo Serra da Estrela é o rei, José Francisco Rolo deixou um forte apelo à valorização dos produtores e à renovação da atividade pastoril. Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal destacou o papel dos pastores, queijeiras e produtores na preservação de “uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa”. “E, para nós, o melhor queijo do mundo”, frisou.
A par da “coroa da feira”, o Queijo de Denominação de Origem Protegida, há palco para todos os produtos “genuínos e autênticos” produzidos no concelho e na região, como o pão, o mel, os enchidos, a doçaria, os frutos secos, o azeite e o vinho do Dão.
“Esta feira é um grande monumento ao trabalho destes homens e destasmulheres que, de sol a sol, oferecem este produto, que é uma marca forte do Centro de Portugal e de Portugal inteiro”, defendeu. José Francisco Rolo dirigiu uma palavra de reconhecimento a quem mantém a atividade. “Queremos agradecer a todos aqueles pastores e queijeiras, a todos os empresários agrícolas que mantêm a atividade, os produtores que labutam a produzir leite, a fazer queijo”, referiu, lembrando que o certame conta com a presença de cinco produtores DOP.
O autarca destacou também o impacto económico e territorial da pastorícia e da produção de queijo. Rolo defendeu que esta é uma atividade que “protege a paisagem, protege e valoriza o território”.
No entender de José Francisco Rolo, o setor precisa agora de renovação geracional. “É preciso dar força, levantar e rejuvenescer esta atividade, com gente nova para o setor, mais produtores, mais leite, mais queijo, mais certificação, mais produto de excelência”, defendeu.
Um sentimento partilhado por Manuel Marques, presidente da Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela, que afirmou que “o setor enfrenta dificuldades”, com a redução da produção de leite, na sequência da “Língua Azul e das cheias”. “Apelo aos autarcas e ao Governo que olhem para nós a sério. Nós, pastores, também somos coesão territorial, também somos turismo”, sublinhou.
Na ocasião, Luís Paulo Costa, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, considerou que “valorizar estes produtos é valorizar o território”. Apesar dos “desafios exigentes”, o responsável enalteceu o certame que “mostra que tradição e inovação são aliadas”.
Gastronomia como motor do turismo e valorização do território
Também presente na inauguração, o presidente do Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, sublinhou que a gastronomia é hoje um dos pilares da estratégia turística da região.
“Esta Feira do Queijo é um momento de celebração, de identidade, da tradição e do saber-fazer das nossas gentes”, afirmou, acrescentando que o queijo Serra da Estrela representa “cultura, paisagem e pessoas”.
Rui Ventura defendeu que, nos dias de hoje, “o turista não procura apenas um destino, procura experiências autênticas, histórias verdadeiras e produtos com identidade”.
Já o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ribau Esteves, aproveitou a ocasião para deixar uma mensagem de agradecimento aos produtores. “A primeira palavra é de profundo agradecimento pelo trabalho e pela dedicação à causa do nosso território e da nossa gente”, afirmou.
Naquele que foi o seu primeiro ato público enquanto presidente da CCDRC, Ribau Esteves deixou o compromisso em “dar o melhor a cada dia” e “entregar às novas gerações uma terra com mais valor”.
Governo anuncia 30 milhões para incentivar pastoreio e reduzir risco de incêndios
Convidado de honra da Festa do Queijo, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, anunciou que o Governo vai investir cerca de 30 milhões de euros por ano num programa de incentivo ao pastoreio, com o objetivo de reduzir a carga combustível nas florestas e aumentar a resiliência do território aos incêndios.
Na intervenção, o governante recordou o impacto dos grandes incêndios que afetaram a região nos últimos anos, garantindo que o Governo está “determinado a trabalhar e a criar todos os mecanismos para podermos alterar este estado de arte”. Segundo explicou, a estratégia passa por quatro eixos fundamentais, assentes sobretudo na “criação de valor, criando riqueza na agricultura e na pecuária”. Nesse contexto, o governante sublinhou a importância de atividades tradicionais como o pastoreio.
Uma das medidas passa por “reduzir a carga combustível através do pastoreio” com reforço de explorações existentes e atração de novos profissionais para o setor. De acordo com Rui Ladeira, o objetivo é garantir estabilidade a quem decide investir na atividade. “Quem abraçar esta atividade poderá ter apoio e estabilidade durante cinco anos para garantir rendimento e continuidade”, acrescentou. Para concretizar este plano, o Governo prevê uma dotação anual significativa de “30 milhões de euros para reduzir a carga combustível, proteger a floresta e incentivar quem produz”, disse.
O secretário de Estado destacou ainda outros instrumentos em curso para reforçar a gestão da paisagem e a proteção das aldeias, entre eles as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), os Condomínios de Aldeia e os programas de apoio direto à limpeza de terrenos. Destacou o facto de, em Oliveira do Hospital existem atualmente oito AIGP.
“Não vamos acabar com os incêndios, mas queremos garantir que estaremos mais protegidos”, frisou.
O governante destacou ainda o programa Floresta Ativa, que apoia diretamente proprietários na limpeza de terrenos, e um recente aviso para equipamentos destinados a empresas de serviços florestais.
Segundo explicou, o interesse superou largamente as expectativas. “Tínhamos uma expectativa de cerca de 100 candidaturas e tivemos mais de 400. São mais de 40 milhões de euros de candidaturas a nível nacional”, revelou.



































