Site icon Rádio Boa Nova

FAAD: Urgência fechou na noite de Natal e final de ano por falta de médicos. Herdade queixa-se de falta de pagamento da ARS Centro (com áudio)

Álvaro Herdade

O serviço de urgência do Hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz (FAAD), em Oliveira do Hospital, esteve encerrado na noite de Natal e de passagem de ano devido “à falta de médicos”.

A justificação foi avançada à Rádio Boa Nova pelo médico e presidente do Conselho de Administração da FAAD, depois de na ultima reunião da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, a vereadora do PSD Sandra Fidalgo ter questionado o presidente da Câmara sobre o fecho do espaço e “sem aviso prévio”.

“Tivemos conhecimento de pessoas que foram lá e os serviços estavam fechados”, afirmou a vereadora, considerando que “no mínimo seria legítimo que houvesse um aviso à população”. 

Sem ter conhecimento do fecho do serviço na noite da passagem de ano, o presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo prontificou-se para obter informações sobre a matéria, mas logo considerou também que “o que aconteceu à FAAD terá sido o mesmo que aconteceu no país por falta de médicos”.

Questionado pela Rádio Boa Nova, o responsável pela FAAD confirmou o fecho do serviço nas noites de 24 para 25 de dezembro e de 31 de dezembro para 1 de janeiro, no período entre as 20h00 e as 08h00. “Fechámos, mas foi colocada informação (na porta do hospital) com dois dias de antecedência”. Álvaro Herdade avançou que o motivo é a “falta de médicos”. “Mesmo oferecendo mais dinheiro para os médicos virem trabalhar no Natal e no fim de ano, só um médico de Viseu, de clínica geral, o Dr. Renato veio cá fazer a véspera de Natal e de Ano Novo até às 20h00. E fui eu que tive que fazer o Dia de Natal e Ano Novo porque não houve mais ninguém para fazer. Não podemos fazer omeletes sem ovos”, frisou.

Na decisão de fecho nas duas noites, a administração do Hospital levou em conta o “histórico” de afluência às urgências naqueles períodos e que costuma ser reduzido. Ao contrário, no dia 1 de janeiro, foram efetuadas 90 inscrições.

À Rádio Boa Nova, Herdade avançou também que a FAAD ”não está também em condições de contratar uma empresa que vai levar balúrdios para esses dois períodos”. O presidente do CA da FAAD dá conta da “ impossibilidade da FAAD em contratar mais médicos” dado que o “plafond das urgências” terminou já no passado mês de agosto.

“Desde agosto para cá que estamos a atender pessoas sem saber quem é que nos vai pagar e como é que nos vão pagar”, confidenciou Álvaro Herdade que se tem desdobrado em reuniões junto da ARS Centro e até agora não tem “nada escrito” sobre quem é que vai pagar as despesas do hospital com o serviço de urgências. Já no início desta semana, o conhecido médico disse ter recebido a informação de que “ainda nesta semana o problema seria resolvido”, mas Herdade observa que “já está a ouvir isto desde agosto”.

A situação já não é nova. Em 2022, o Hospital não foi reembolsado pelas despesas tidas no mês de dezembro. “Ficámos sem 40 e tal mil euros que ninguém pagou. E nós pagamos aos médicos e assumimos todas as despesas. A Câmara também disse que não pagava e não tinha nada a ver com isso”, frisou.

Agora, a situação é tanto mais grave, com a FAAD a contabilizar despesas com as urgências desde agosto de mais de 400 mil Euros “que ainda ninguém pagou”. Somam-se a estas, despesas com o restante funcionamento do hospital (consultas e cirurgias), cujo planfond terminou em outubro. Neste momento, “a dívida da ARS ronda os 800 e tal mil Euros”.

Ficámos a perder em 2017 ao aceitar as urgências

À Rádio Boa Nova, Herdade revelou que a situação do Hospital se veio a agravar com a redução do plafond atribuído ao Hospital que em 2015 era de 2,5 milhões de Euros, passou para 2,2 milhões no período da Troika e depois para 1,9 milhões de Euros. Para além disso, segundo contou, o serviço de urgência nunca foi acompanhado do contrato programa que foi prometido pelo à data ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, vendo-se a FAAD obrigada a recorrer ao plafond de que dispunha para assegurar aquele serviço.

“Depois dos incêndios, aceitamos o SAP para as pessoas não ficarem sem serviço de urgência. Ficámos a perder em 2017 ao aceitar as urgências”, constata o médico.

À RBN, o responsável referiu que já participou em várias reuniões em Lisboa com o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, e com o presidente da Assembleia Municipal e deputado na Assembleia da República, José Carlos Alexandrino, tendo em vista a resolução do problema e que foi pedida uma reunião ao Ministro da Saúde com carácter de urgência.

Herdade tem consciência de que o serviço de urgência que está a ser prestado à população “não é um serviço bom”. “Estamos conscientes que de devemos oferecer um serviço melhor, mas temos que ter mais condições”, afirmou o responsável notando que o desejável é que o plafond do Hospital volte a ser de 2,5 milhões de Euros e que o governo faça um contrato programa com a FAAD para o serviço de urgências. Ainda nesta semana, a FAAD vai proceder à criação de mais dois gabinetes médicos e tem na calha um projeto de ampliação e requalificação do Hospital de 10 milhões de Euros. Mas avisa: “precisamos de ter um sinal positivo de que isto é para continuar”.

Ouça na íntegra as declarações de Álvaro Herdade>>>

Exit mobile version