O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, considera injusta a exclusão do concelho da lista de municípios abrangidos pelas medidas de apoio do Governo na sequência da depressão Kristin, sublinhando a existência de prejuízos significativos em pessoas, empresas e infraestruturas públicas.
Em declarações à Rádio Boa Nova, o autarca afirmou que, apesar de Oliveira do Hospital ainda não constar da resolução do Conselho de Ministros de 30 de janeiro, acredita que a situação poderá ser revista. “Acreditamos que as coisas vão ser avaliadas com rigor, com cuidado, e haverá um processo que culminará numa adenda à resolução do Conselho de Ministros, no sentido de Oliveira do Hospital ser integrado nos concelhos que serão beneficiários das ajudas do Estado”, afirmou.
José Francisco Rolo explicou que a exclusão do concelho significa que, neste momento, “os cidadãos não vão receber ajudas para recuperar os telhados da sua casa” e que equipamentos públicos e infraestruturas danificadas não podem ser apoiados. Entre os exemplos referidos estão o Estádio Municipal de Santo António, estradas, taludes, deslizamentos de terras e a “total devastação” de zonas balneares como a Praia Fluvial de Avô, a Praia Fluvial de São Sebastião da Feira e a Ilha do Picoto.
O presidente da Câmara revelou ainda que os prejuízos provocados pelas depressões Ingrid e Joseph rondaram os 800 mil euros e que, com a tempestade Kristin, se registaram “mais de uma centena de ocorrências” no concelho. Entre os danos contabilizados estão infiltrações no pavilhão municipal, quedas de árvores em parques e espaços escolares, danos em parques públicos como o do Mandanelho e do Senhor das Almas, bem como situações que obrigaram ao realojamento de pelo menos uma pessoa, em Nogueirinha (freguesia de Meruge).
No setor económico, foram identificadas empresas afetadas nas áreas industrial, turística e agropecuária. O autarca destacou a destruição de infraestruturas agrícolas, referindo casos concretos: “Há um ovil destruído, destelhado, na Sobreda, com duzentas ovelhas a dormir numa estrutura sem telhado. Um outro produtor, em Vila Pouca da Beira, perdeu o seu ovil”.
É neste contexto que José Francisco Rolo deixou uma pergunta direta sobre a decisão governamental: “Eu pergunto: em Oliveira do Hospital não houve danos, não houve prejuízos?”
Apesar das críticas, o presidente garantiu que o município mantém uma postura de diálogo e solidariedade para com os territórios mais afetados, nomeadamente a região de Leiria e vários concelhos do litoral da região de Coimbra. “Sabemos que a região de Leiria foi fortemente afetada, tem um nível de devastação brutal, e é uma prioridade de intervenção”, afirmou, acrescentando que Oliveira do Hospital está solidário e mobilizado para ajudar esses territórios.
O município está agora a preparar um documento técnico com a identificação detalhada de todas as ocorrências e prejuízos, que será remetido à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e aos ministérios da Administração Interna e da Economia e da Coesão Territorial. O objetivo é fundamentar a inclusão do concelho nos apoios previstos.
“O meu sentimento é de espírito construtivo e de racionalidade”, sublinhou José Francisco Rolo, defendendo que, com base em “factos, documentos e evidências”, deve ser “reposta justiça para com o concelho de Oliveira do Hospital” e para com os cidadãos, empresários e instituições que sofreram prejuízos.































