O legado da indústria da confeção em Oliveira do Hospital está a ser reunido num projeto que pretende preservar a memória de trabalhadores, empresários e empresas que marcaram a história económica e social do concelho. A iniciativa é promovida pelo Centro de Memória Têxtil e Confeção, associação cultural criada em março deste ano.
Em entrevista à Rádio Boa Nova, Fernando Brito explicou que a ideia nasceu de forma informal, entre conversas sobre o desenvolvimento do concelho, e evoluiu para um projeto de maior dimensão. “Chegámos à conclusão que nós tínhamos que dar um salto grande e pensámos fazer um livro. Um livro que fosse a memória mas que fosse o retrato da atualidade”, afirmou.
Segundo o responsável, o objetivo passa por recolher testemunhos e documentar o papel desempenhado pela indústria da confeção no desenvolvimento de Oliveira do Hospital. “Se alguém pensa que isto é um projeto local eu diria que não, é um projeto nacional tal e qual como a confeção foi”, defendeu.
O trabalho de investigação já permitiu reunir informação sobre 36 ou 37 empresas ligadas ao setor, existentes desde a década de 1950. Entre designações, histórias empresariais e depoimentos, o projeto soma já cerca de 350 páginas, número que continua a crescer. “Não temos pressa. Porque se hoje já vai nas 350 ou 360 páginas, mesmo que vá para as mil, a gente em vez de fazer um volume faz dois”, referiu Fernando Brito.
Um dos aspetos centrais do trabalho é a valorização do papel das mulheres na indústria da confeção. Para Fernando Brito, o setor contribuiu para a emancipação feminina e para mudanças profundas na estrutura económica e social das famílias do concelho. “A mulher teve um papel determinante”, sublinhou.
Além da publicação do livro, a associação pretende avançar com a criação de um museu dedicado à confeção. A ideia passa por desenvolver um espaço moderno e interativo, que preserve peças, documentos e testemunhos orais. “Não é um museu para ser um depósito de coisas antigas. É um museu moderno, é um museu que tem que ser interativo”, destacou.
A associação já iniciou contactos com entidades do setor e com instituições públicas para apresentar o projeto e procurar apoios. Entre as metas definidas para os próximos anos estão a conclusão do livro, a realização de conteúdos audiovisuais sobre o papel da mulher na confeção e a concretização do futuro museu.































