A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Oliveira do Hospital promove esta sexta-feira, dia 6, o seminário “Cuidar e Proteger: entre o cuidado, a responsabilidade e o direito”, na Casa da Cultura César Oliveira, numa iniciativa em parceria com o Município.
O encontro pretende reunir técnicos e comunidade para refletir sobre os desafios atuais da intervenção social e da proteção infantil. Segundo Carla Camacho, presidente da estrutura local, trata-se de “um seminário dirigido a técnicos com intervenção social”, que propõe “uma reflexão profunda sobre o papel de quem trabalha diariamente com cada uma das famílias e das crianças que acompanhamos”.
A responsável sublinha que o evento aborda temas como justiça, responsabilidade social, educação e parentalidade, destacando “o equilíbrio delicado entre cuidar e proteger, sem perder de vista os direitos das pessoas acompanhadas”.
Um dos dados mais relevantes revelados durante a entrevista prende-se com o número de processos acompanhados atualmente pela CPCJ no concelho. Carla Camacho indicou que, ao longo de 2025, foram sinalizadas 163 situações à comissão. Contudo, “em acompanhamento ativo, neste momento, apenas 44”.
A presidente explicou que muitos casos acabam por não se confirmar ou são resolvidos entretanto: “muitas dessas situações depois vamos confirmar e não se verifica a situação de risco, outras porque foram resolvidas”. Acrescentou ainda que a CPCJ só pode intervir “com consentimento expresso de quem cuida destas crianças”.
Violência doméstica é a problemática dominante
De acordo com a responsável, a violência doméstica foi a principal preocupação no último ano. “A problemática dominante era a violência doméstica e quem mais denuncia neste momento é a GNR”, afirmou.
Apesar de não se registarem casos extremos como os que surgem frequentemente na comunicação social, Carla Camacho alerta que é essencial manter a vigilância: “É preciso estarmos atentos, para ver se há sinais que depois resultam em situações que podem ser mais graves”.
A CPCJ tem recebido um número significativo de denúncias anónimas, algumas com fundamento, outras nem por isso. “Nós temos muitas denúncias anónimas neste momento”, referiu, alertando também para denúncias feitas “só porque sim”, o que pode causar “muito sofrimento para a família”. As denúncias podem ser feitas online através da Comissão Nacional, por telefone, email ou presencialmente na Câmara Municipal.
Seminário vai contar com especialistas nacionais
A secretária da estrutura, Catarina Cardoso, detalhou o programa do seminário, que contará com especialistas de várias áreas. Entre os oradores estão o juiz desembargador Paulo Guerra, que falará sobre “a justiça que cuida, a justiça que protege”, e a professora Filomena Gaspar, que abordará o tema do burnout parental. Durante a tarde, será discutida também a saúde mental infantil e os direitos das crianças e jovens LGBTI.
Embora dirigido a técnicos, o seminário é aberto ao público. “Há também essa preocupação de que a comunidade possa acompanhar e saber mais sobre o cuidado e a responsabilidade na proteção dos mais novos”, destacou Carla Camacho.
As inscrições podem ser feitas através da página de Facebook da CPCJ ou do município, embora ainda existam lugares disponíveis para participação presencial.


































