A Floresta da Serra do Açor, projeto vencedor da 6.ª edição do Prémio Nacional da Paisagem, vai estar em destaque na 9.ª Conferência Anual da Política Nacional de Arquitetura e Paisagem (PNAP), que decorre no próximo dia 2 de outubro, no Auditório da Cerâmica Arganilense, em Arganil.
Promovida pela Direção-Geral do Território, pelo Património Cultural, I.P., pela Ordem dos Arquitectos e pela Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, com o apoio da Câmara Municipal de Arganil e do ESPON 2030, a conferência terá como tema “Arquitetura e Paisagem – Memória, Identidade e Resiliência”.
Um dos momentos centrais do encontro será a apresentação do projeto da Floresta da Serra do Açor, que prevê uma intervenção em cerca de 2.500 hectares de terrenos comunitários. Segundo a organização, trata-se de uma iniciativa de referência no contexto nacional da recuperação de paisagens afetadas pelos incêndios e da adaptação às alterações climáticas.
O projeto resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Arganil, o Grupo Jerónimo Martins, a Escola Superior Agrária de Coimbra e as comunidades locais responsáveis pela gestão dos baldios.
Com um investimento de 5,18 milhões de euros, assegurado pelo Grupo Jerónimo Martins através de mecenato ambiental, a iniciativa tem um horizonte de intervenção de 40 anos. Iniciado em 2020, o projeto pretende recuperar e gerir uma área fortemente afetada pelos incêndios de 2017, apostando na diversificação de espécies, gestão de combustíveis, proteção do solo e da água, promoção da biodiversidade e criação de uma paisagem mais resiliente.
De acordo com a informação divulgada, já foram realizadas intervenções em parcelas que correspondem a cerca de 1.265 hectares, tendo sido instalados povoamentos em aproximadamente 1.017 hectares, através de plantação, enriquecimento e regeneração natural.
A organização sublinha que o projeto é “mais do que uma intervenção de reflorestação”, assentando numa abordagem integrada de gestão e recuperação da paisagem, conciliando a prevenção de incêndios, a conservação dos recursos naturais, a valorização da biodiversidade e o desenvolvimento da economia rural.
No âmbito da conferência, os participantes terão ainda oportunidade de visitar a Floresta da Serra do Açor e acompanhar uma ação prática de controlo de espécies lenhosas invasoras através da técnica de descasque.
O programa inclui também a apresentação de vários projetos ligados à arquitetura, paisagem, património e resiliência, entre os quais o projeto “Guardiãs da Água”, distinguido com o Prémio Novo Bauhaus Europeu 2025, a reabilitação da Casa Aristides de Sousa Mendes, iniciativas de apoio à arquitetura tradicional e os mais recentes desenvolvimentos do projeto PAISACTIVO – Paisagens Corta-Fogos, dedicado à prevenção de incêndios rurais através da gestão integrada das áreas rurais.































