O comandante dos Bombeiros Voluntários de Tábua, Rui Leitão, classificou esta manhã como um ato de “terrorismo” a sucessão de ignições registadas nos últimos dias na região, depois de um novo foco de incêndio ter deflagrado em Pousadouros, na freguesia de Mouronho, poucas horas após o grande incêndio de domingo que mobilizou cerca de 400 operacionais e 11 meios aéreos.

Segundo Rui Leitão, o novo incêndio, detetado cerca das 9h20, surgiu numa área distinta da frente principal combatida no dia anterior, afastando a hipótese de reacendimento. “Não há qualquer tipo de possibilidade de que tenha sido um reincendimento”, afirmou, sublinhando que a rápida intervenção dos meios já posicionados no terreno permitiu controlar prontamente a situação.
Perante a repetição de ocorrências, o comandante foi taxativo: “Não deixa de ser estranho, não deixa de ser uma ação de terrorismo”, referindo-se ao elevado número de ignições registadas no concelho e na região de Coimbra.
Rui Leitão recordou ainda que os bombeiros e restantes operacionais acumulam vários dias de esforço contínuo no combate a incêndios. “Os operacionais estão a começar a ficar cansados” e “já há poucas horas de descanso”, alertou.
Sobre o incêndio de domingo (20), o comandante descreveu um cenário particularmente difícil, com o fogo a desenvolver-se “de forma muito violenta” numa zona de difícil acesso e com grande carga combustível. Apesar das dificuldades iniciais, o incêndio acabou por ser dominado por volta das 18h30, graças à mobilização de meios terrestres e aéreos e ao trabalho articulado de várias entidades.

Quatro bombeiros foram assistidos por exaustão. Não houve registo de danos habitacionais
Do lado da autarquia, o vice-presidente da Câmara Municipal de Tábua, António Oliveira, concordou com a preocupação manifestada pelo comandante, afirmando que a multiplicação de ignições leva a pensar em “atos terroristas de pessoas que continuam a não perceber a grandeza do impacto que um incêndio nestas alturas do ano provoca”.
Ainda assim, o autarca destacou o resultado da operação de combate ao incêndio de domingo, salientando que não foram registados danos em habitações. “O incêndio apenas chegou ali ao início da aldeia dos Pousadores, apenas afetou ali uns quintais, portanto não há danos habitacionais registados”, afirmou, atribuindo esse resultado ao trabalho desenvolvido pelos operacionais no terreno.
António Oliveira revelou também que quatro bombeiros da corporação de Tábua necessitaram de assistência devido ao calor e à exaustão, mas sem gravidade.
O vice-presidente da autarquia confirmou ainda que este foi, até ao momento, o maior incêndio do ano no concelho de Tábua, recordando que o município tem enfrentado várias ignições nas últimas semanas. “Temos tido muitas ignições no concelho” e, referindo-se a ocorrências registadas durante a madrugada do fim de semana anterior, acrescentou que “já não é o calor, portanto são efetivamente os tais atos terroristas que nós falamos”. António Oliveira adiantou que o município está a colaborar com as autoridades competentes, escusando-se a avançar mais detalhes sobre eventuais investigações em curso.
Apesar de o novo foco de incêndio desta manhã já se encontrar dominado, mantêm-se no terreno meios de vigilância e operações de rescaldo, numa altura em que as previsões meteorológicas apontam para a continuação de temperaturas elevadas e condições favoráveis à propagação de incêndios.































