O Clube de Caça e Pesca de Oliveira do Hospital atravessa uma fase estável, embora enfrente desafios ao nível da participação associativa e da dinamização de algumas das suas secções. O retrato foi traçado pelo presidente da direção, David Oliveira, em entrevista à Rádio Boa Nova.
“O Clube está bem, podemos dizer que está bem”, afirmou o dirigente, reconhecendo, no entanto, que nem todas as áreas mantêm a mesma dinâmica. “Gostávamos que tivesse mais atividades, mas infelizmente temos assistido à falta de atividades em algumas dessas secções. Algumas estão mesmo paradas há alguns anos”, admitiu.
Entre as secções mais ativas destaca-se a dos motores, nomeadamente, os veículos clássicos, uma das mais recentes do clube. Segundo David Oliveira, esta tem permitido aos proprietários “a oportunidade de os trazerem para a estrada, de vez em quando, tirá-los das suas garagens”, promovendo simultaneamente o convívio e a divulgação do concelho através de iniciativas realizadas em parceria com municípios vizinhos.
O responsável destacou ainda o protocolo estabelecido com a fundação que gere o Museu do Caramulo, que possibilita a certificação de veículos de interesse histórico em Oliveira do Hospital. “Aqueles que, mesmo conhecendo, às vezes teriam de fazer deslocações para o Caramulo, e assim evitam fazê-las, podem fazer a certificação aqui em Oliveira do Hospital”, explicou.
Natação continua a ser a principal força do clube
A secção de natação mantém-se como a mais representativa da coletividade. “Eu diria que a secção de natação é aquela que hoje mais contribui para os resultados do clube”, referiu David Oliveira.
A época passada terminou com mais de 340 praticantes, distribuídos entre natação pura e hidroginástica. Apesar da elevada procura, o clube enfrenta limitações de espaço. “Nós temos muita procura, não conseguimos dar resposta a toda a procura que temos, nomeadamente na parte da hidroginástica”, afirmou.
O dirigente mostrou-se esperançado na requalificação da piscina coberta municipal. “Sabemos que a Câmara está a tentar renovar aquele espaço. Não tem sido fácil. Esperamos que no médio prazo, pelo menos, isso venha a acontecer”, disse.
Outra das áreas em destaque é a música. A Escola de Música do clube conta atualmente com mais de 40 alunos e mantém uma oferta diversificada de ensino instrumental.
“A secção de música compreende uma escola de música com mais de 40 alunos e o grupo de cavaquinhos”, revelou David Oliveira, acrescentando que o professor Rui, fundador da escola, continua ligado ao projeto como maestro do grupo. “Ainda hoje é o nosso maestro do grupo de cavaquinhos. E esperemos que continue durante muitos anos”, disse.
Ténis de mesa procura captar jovens atletas
No ténis de mesa, a realidade é diferente. O clube mantém apenas competição federada ao nível sénior e não possui escalões de formação.
“Infelizmente, só temos competição federada ao nível da equipa sénior. Neste momento não temos qualquer escala de formação, porque não temos atletas”, explicou o presidente.
Para inverter esta situação, a direção pretende reforçar a colaboração com o Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. “Tentamos levar o ténis de mesa para o primeiro ciclo”, adiantou, na expectativa de despertar o interesse dos mais jovens pela modalidade.
Gestão cinegética e controlo de javalis
A secção de caça continua a ter um papel relevante na atividade do clube. A coletividade gere duas zonas de caça: a Zona de Caça Municipal, com cerca de 13.900 hectares, e a Zona de Caça Associativa da freguesia de Ervedal e Vila Franca da Beira, onde se localiza a Casa da Serrana.
“A zona de caça municipal acaba por ser aquela que mais representa a secção de caça”, explicou David Oliveira, considerando que o clube presta também um serviço público através da gestão cinegética do território.
No âmbito dessa atividade, o clube prepara uma montaria marcada para 19 de dezembro. “Já temos abertas as inscrições e é para os caçadores que estejam interessados em participar manifestarem a sua intenção o mais rápido possível, porque é um evento que se prevê que venha a esgotar rapidamente”, alertou.
O dirigente reconheceu ainda a crescente preocupação com a presença de javalis junto das populações e das áreas agrícolas. Para minimizar o problema, o clube promove ações de gestão da fauna e campos de alimentação destinados a afastar os animais das zonas mais sensíveis.
“Promovemos esta montaria e tentamos constituir este campo de alimentação um pouco também para tentar afastar os animais daqueles que são culturas que são dizimadas por eles”, explicou.
Falta de renovação preocupa direção
Questionado sobre os principais desafios da coletividade, David Oliveira apontou a necessidade de atrair novos dirigentes e aumentar o envolvimento dos associados na gestão da instituição.
“Acho que é o da maior parte das associações, que é trazer pessoas para dentro da associação”, afirmou. “Faz-nos falta gente que queira dar continuidade no papel da gestão da associação. Porque é muito importante que haja renovação nos órgãos sociais e é difícil conseguir isso”, referiu.
Apesar das dificuldades, o presidente sublinha que o clube continua de portas abertas à comunidade. “Estamos de porta aberta, pelo menos, da parte da tarde, de segunda a sexta-feira. E gostaríamos também que os sócios se beneficiassem deste espaço”, concluiu.































