José Manuel Conde, residente em Arganil, dirigiu uma carta aberta ao secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, na qual manifesta “profunda indignação” pela forma como a estrutura nacional socialista reagiu ao falecimento da sua esposa, Natália Novais, militante do PS há cerca de 50 anos.
Na carta enviada aos órgãos de comunicação social, José Manuel Conde, conhecido radialista e comunicador, refere que a esposa faleceu em dezembro de 2025 e recorda o percurso político da militante, cuja ficha de inscrição no PS terá sido assinada por Mário Soares e por Fernando Vale.
“Falamos de uma mulher que entrou para este partido pela mão dos seus fundadores e que, durante cinco décadas, honrou essa herança histórica com lealdade inabalável”, escreve.
O autor da carta critica a ausência de qualquer gesto institucional por parte da direção nacional socialista após a morte da esposa. “Não houve uma palavra de conforto, não houve um cartão de condolências, não houve um gesto de reconhecimento”, afirma.
José Manuel Conde refere ainda que, após o falecimento da esposa, terá recebido uma cobrança de quotas partidárias destinada a permitir a participação nas últimas eleições internas do partido. “Em contrapartida para cobrar quotas a eficiência foi insultuosa”, escreve, considerando que o episódio demonstra “desumanidade gritante”.
Na mesma carta, estabelece um contraste entre a atuação da estrutura nacional e o apoio prestado localmente pela concelhia socialista de Arganil. “Localmente houve a decência e o respeito que faltaram no Largo do Rato”, afirma, acrescentando que “em Arganil, a memória da minha esposa foi honrada; em Lisboa foi tratada como um mero número de contribuinte”.
Dirigindo-se diretamente a José Luís Carneiro, o José Manuel Conde questiona: “É este o Partido de Soares e Vale?”. Na conclusão da carta aberta, sustenta que “a política sem humanidade é apenas uma burocracia vazia” e considera que a situação “é uma ofensa grave à memória” da esposa “e à história do próprio Partido Socialista”.
José Manuel Conde refere ainda esperar que o caso “sirva para que o partido recupere a bússola moral que parece ter perdido”.


































