O serviço de oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra registou um aumento de cancros infantojuvenis em 2017, ano em que foram realizadas quatro mil consultas e efetuados 480 internamentos, disse à agência Lusa a diretora Fátima Heitor.
Segundo a especialista, os linfomas e as leucemias estão a aumentar, enquanto o número de tumores sólidos (em órgãos) se mantém estável.
“Tenho a impressão que o acréscimo de novos tumores se deve ao aumento dos fatores de risco ambientais, como a poluição, aliado a uma maior fragilidade das crianças e jovens aos mesmos fatores agressores”, explicou.
De acordo com a diretora do serviço de oncologia, em 2017 foram registados 70 novos casos de cancro no Hospital Pediátrico de Coimbra, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).
De acordo com o registo oncológico, todos os anos cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticadas com cancro em Portugal, doença que continua a ser a primeira causa de morte não acidental na população infantojuvenil, apesar dos grandes progressos a nível do diagnóstico e tratamento.
No sábado, o Hospital Pediátrico de Coimbra recebe o 4.º Seminário Oncologia Pediátrica, organizado pela Fundação Rui Osório de Castro, destinado a pais, familiares e amigos de crianças com cancro, que se realiza pela primeira vez fora de Lisboa.
Com base no “feedback” e testemunhos dos pais, o seminário vai discutir este ano “quase todo o processo de tratamento de uma criança”, desde o internamento, o regresso a casa e ao dia-a-dia e a investigação em oncologia pediátrica.
Segundo Cristina Potier, diretora-geral da instituição, vão também ser abordadas “todas as questões que têm a ver com o pós-doença: as possíveis sequelas, a parte social, o regresso à escola e à vida normal”, com a participação da pediatra Ana Teixeira, que é a responsável pela única consulta que existe em Portugal para sobreviventes de cancro infantil.
Fonte: Lusa