A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira assinalou este domingo (7), o seu 80.º aniversário, numa sessão solene marcada pela emoção, pelas homenagens e pelo reconhecimento público de oito décadas de dedicação à proteção de pessoas e bens.




As comemorações reuniram diversas entidades civis e da proteção civil, entre as quais o Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, e o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre. O programa incluiu condecorações, promoções, distinções honoríficas, desfile apeado e momentos de forte simbolismo para a corporação.
“É o último aniversário que comemoro como comandante”
Num dos discursos mais emotivos, o comandante da corporação, António Pinto, fez uma viagem pela história da corporação, evocando fundadores, dirigentes, bombeiros e beneméritos que ajudaram a erguer a associação. “Uma história feita de sacrifício, dedicação e amor ao próximo”, frisou.
António Pinto recordou o significado de ser bombeiro voluntário, descrevendo uma missão feita de disponibilidade permanente, coragem e entrega, muitas vezes à custa da vida familiar e do conforto pessoal. “Ser bombeiro é correr para onde todos os outros fogem”, afirmou.
Na ocasião, revelou que este será o último aniversário da corporação que assinala enquanto comandante no ativo. “Daqui a cinco anos, nos 85 anos desta instituição, eu já não serei comandante”, disse, deixando transparecer a emoção de quem está ao serviço há mais de quatro décadas. Dirigindo-se aos mais jovens, apelou à continuidade do espírito de missão que sempre caracterizou os Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira. “Os bombeiros passam, mas a missão permanece”, sublinhou.
Por sua vez, o presidente da direção, Álvaro Herdade, prestou homenagem aos fundadores da associação e destacou o papel do capital humano da corporação. “Não precisamos apenas de dinheiro. Precisamos de pessoas e de meios”, afirmou, defendendo Postos de Emergência Médica e a criação de um parque de máquinas para apoio à prevenção dos incêndios.
José Carlos Alexandrino, presidente da Assembleia Geral, recordou os momentos difíceis vividos pela associação ao longo da sua história e homenageou todos os bombeiros falecidos, sublinhando que “sem os bombeiros voluntários seria um drama para o país”.
Já Luís Sousa, presidente da Federação Distrital dos Bombeiros, apelou a que o reconhecimento aos bombeiros se traduza em medidas concretas. “Os bombeiros estão fartos de discursos. Os discursos têm de dar lugar a ações”, defendeu.
Na mesma linha, Carlos Amaral, representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, alertou para a necessidade de estabilidade financeira das associações humanitárias, sublinhando que “os bombeiros não podem continuar a viver de promessas”.
Mário Silvestre: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”
Também o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil deixou palavras de forte reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela corporação. Mário Silvestre destacou a organização, disciplina e capacidade operacional demonstradas pela associação, elogiando igualmente a escola de cadetes e o investimento contínuo na formação dos mais jovens.
Dirigindo-se diretamente ao comandante António Pinto, deixou uma palavra de “profundo reconhecimento pelo trabalho que fez, pela forma como organizou este corpo de bombeiros e pelo exemplo que deixa”.
O responsável nacional sublinhou ainda que os bombeiros continuam a representar “um dos últimos bastiões do verdadeiro espírito de serviço” numa sociedade cada vez mais individualista. Recorrendo a uma célebre frase de Winston Churchill, sintetizou o papel dos soldados da paz: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.
Mário Silvestre defendeu ainda mais investimento, formação, planeamento estratégico e valorização dos operacionais e das associações humanitárias.
José Francisco Rolo destaca investimento municipal e garante apoio ao futuro da corporação
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, evocou a ligação pessoal e familiar aos Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira, recordando que o seu pai serviu a corporação durante mais de quatro décadas. Na sessão, o autarca prestou homenagem a todos os homens e mulheres que, ao longo dos 80 anos de existência da instituição, colocaram a sua vida ao serviço da comunidade.
Rolo aproveitou a ocasião para sublinhar o esforço financeiro do município no apoio às corporações de bombeiros do concelho, revelando que, só nos últimos cinco anos, a Câmara Municipal investiu cerca de 800 mil euros nos Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira. Segundo explicou, esse investimento traduziu-se na aquisição de viaturas, apoio ao funcionamento das Equipas de Intervenção Permanente, obras de beneficiação no quartel e reforço dos subsídios atribuídos à associação. “Investimos mais nos bombeiros porque estamos a investir na proteção das nossas populações”, salientou. Rolo agradeceu a “disponibilidade, a prontidão e o serviço de excelência prestado ao concelho e ao país”.
O autarca recordou que, recentemente, a autarquia colocou à disposição das corporações vários equipamentos de comunicações por satélite, sistemas Starlink e uma motobomba.
O edil assumiu o compromisso de apoiar a concretização de uma das principais aspirações da corporação, a transformação do atual posto de reserva em Posto de Emergência Médica. “Os Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira podem contar com o empenho do município nesta reivindicação. Estaremos ao vosso lado para concretizar este objetivo”, afirmou.
Governo investe 331 milhões de euros na floresta e reforço dos meios de prevenção
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, afirmou que o Governo está a realizar um forte investimento na prevenção dos incêndios rurais, na transformação da paisagem e no reforço dos meios de proteção civil.
O governante sublinhou que a estratégia passa por atuar sobre as causas estruturais do problema. “Vamos continuar a ter verões e tempos difíceis enquanto não tivermos a transformação da paisagem de forma estrutural”, alertou. Entre as medidas em curso, Rui Ladeira destacou o investimento de 331 milhões de euros destinado à gestão e transformação do território. “Em mais de 100 mil hectares, este Governo já decidiu 331 milhões de euros para as pessoas transformarem a paisagem e terem apoio a 25 anos”, afirmou.
O governante lembrou ainda que o Executivo disponibilizou 50 milhões de euros para reforçar a capacidade operacional dos municípios e entidades locais na prevenção dos incêndios.
Rui Ladeira apelou à mobilização coletiva para enfrentar o desafio dos incêndios rurais. “Temos de proteger pessoas, património e o nosso país, mas sobretudo criar resiliência e resolver os problemas estruturais da floresta portuguesa”.
Homenagens e reconhecimento
Ao longo da sessão foram entregues diversas condecorações, crachás e distinções a bombeiros, dirigentes, sócios, beneméritos, singulares e coletivos que se destacaram pelo serviço prestado à associação. Destaque para a atribuição do Prémio Comandante Manuel dos Santos Gouveia Serra ao bombeiro de 2.ª Guilherme Monteiro pela coragem demonstrada após ter sofrido queimaduras graves no combate ao incêndio de Piódão, em 2025.





















































