O presidente da Junta de Freguesia de Meruge defendeu, ontem, o envolvimento dos Municípios de Oliveira do Hospital e de Seia na resolução de um problema de “poluição grave” no Rio Cobral, que, segundo afirmou, “se arrasta há quase 20 anos”.

“É uma situação que urge resolver, com o compromisso das Câmaras Municipais de Oliveira do Hospital e de Seia”, afirmou João Abreu na primeira reunião da Assembleia Municipal após a sua reeleição como presidente da Junta de Freguesia.
Em causa estão, segundo o autarca, “descargas brutais, criminosas e reiteradas, feitas de forma intencional”, cuja responsabilidade atribui a indústrias de laticínios que aproveitam os períodos de maior precipitação para as realizar.
Apesar das sucessivas denúncias apresentadas junto do SEPNA e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), João Abreu lamenta que “os poluidores tenham as costas quentes e continuem impunes”. Para o autarca, “é evidente que há formas de resolver esta situação, e isso está nas mãos do Governo e da APA”.
Nesse sentido, defendeu a realização de análises no local às águas residuais industriais e a revogação das licenças de laboração das empresas infratoras. “Se a APA lhes caçar as licenças, o problema resolve-se”, afirmou.
Para além dos danos ambientais, João Abreu alertou também para os “custos sociais brutais”, nomeadamente ao nível do turismo, insistindo na necessidade de envolver o Município de Seia e de avançar com “medidas concretas para acabar com esta situação”.
Sobre o assunto, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital esclareceu que o caso está a ser investigado pelas entidades competentes, sublinhando, no entanto, que “a Câmara Municipal não é um órgão de polícia”.
José Francisco Rolo adiantou ainda que, enquanto responsável pelas Águas Públicas da Serra da Estrela, terá em breve uma reunião com o Secretário de Estado do Ambiente. Nesse contexto, desafiou o presidente da Junta de Meruge a prepararem, em conjunto, uma proposta de solução a apresentar ao governante que permita “resolver definitivamente as descargas ilegais no Rio Cobral”.
“Todos queremos trabalhar para uma solução. Contará com o trabalho da Câmara Municipal para construir uma resposta eficaz a este problema”, assegurou José Francisco Rolo.


































