O Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), em Seia, acolheu, no dia 1 de outubro, as comemorações do Dia Nacional da Água. A sessão reuniu representantes do Governo da República, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e de autarcas de diversos municípios. Os municípios de Seia, Oliveira do Hospital, Tábua e Penalva do Castelo assinaram com a APA protocolos de colaboração técnica e financeira para intervenções no domínio dos recursos hídricos.
No caso do acordo com o Município de Seia incide na requalificação do rio Cobral, afluente do rio Seia, onde se prevês um financiamento de até 270 mil euros. A intervenção será executada pelo Município, com apoio técnico e acompanhamento da APA. O rio Cobral foi também objeto do protocolo assinado com o Município de Oliveira do Hospital, prevendo os dois acordos a recuperação de cerca de 20 quilómetros do leito do rio.
No concelho de Seia, o projeto visa a recuperação e valorização ecológica do leito e das margens, o controlo de espécies invasoras e a recuperação da vegetação autóctone. As ações previstas incluem a melhoria das condições de escoamento, a estabilização do leito e das margens com técnicas de engenharia natural e a recuperação da galeria ribeirinha, contribuindo para a conservação dos habitats, a promoção da biodiversidade e a melhoria da qualidade da água. Está também prevista a sensibilização da comunidade local para a conservação dos sistemas fluviais.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, apresentou o protocolo como o início de um percurso para devolver o rio Cobral às povoações. Apontando a recuperação do rio Seia como um exemplo positivo, defendeu o envolvimento da população e da indústria dos lacticínios na requalificação ambiental. Sublinhou que, além de recuperar o rio, é necessário garantir que os problemas não se repetem, adotando práticas que assegurem a sua proteção a longo prazo.
O autarca destacou ainda o papel da Serra da Estrela como reservatório de água, que retém este recurso e sustenta a vida numa vasta região do país, afirmando: “Há um país que começa em cada fio de água que corre da Serra da Estrela”. Defendeu uma maior equidade nas tarifas da água a nível nacional e mecanismos de financiamento ajustados aos territórios de muito baixa densidade, que permitam investir nos sistemas de captação e tratamento e responder às necessidades das populações. Com esta intervenção não se querem esconder problemas, mas dar vida e presença junto do rio em que cada cidadão assume o papel de guarda rios.
O presidente do Conselho Diretivo da APA, Pimenta Machado, salientou a necessidade de cuidar dos rios e ribeiras, recuperando os leitos e as margens e dando espaço aos cursos de água. Neste âmbito, defendeu intervenções assentes em soluções de base natural.
Exposição dá a conhecer a história dos recursos hídricos
As comemorações incluíram ainda a inauguração da exposição “Recursos Hídricos: história, sociedade e saber”, apresentada pela vogal do Conselho Diretivo da APA, Inês Andrade.
A mostra reúne uma seleção de instrumentos, equipamentos, documentos e fotografias históricas relacionados com o trabalho desenvolvido no domínio dos recursos hídricos, dando a conhecer a evolução dos meios e dos conhecimentos associados ao estudo e à gestão da água.
A propósito da exposição, Pimenta Machado destacou o seu contributo para contar a história da água em Portugal e dar a conhecer as pessoas que, ao longo do tempo, trabalharam na gestão dos recursos hídricos. Sublinhou a ligação entre a memória desta atividade e os desafios futuros da água.
O encerramento da sessão esteve a cargo da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, seguindo-se uma visita à exposição. A governante afirmou que a água é a prioridade número um do Governo e enquadrou a importância destes protocolos e de outras iniciativas como a Água que Une e Pró-Rios, associadas à recuperação de rios, praias fluviais e ecossistemas e ao restauro da natureza. Salientou que a relevância destes acordos se traduz nos seus efeitos na proteção do património natural e na vida das pessoas.
Na sua intervenção, a ministra referiu ainda que a barragem de Girabolhos está em concurso e, reconhecendo a importância que o território tenha um investimento que lhe é devido, em particular no que diz respeito às acessibilidades, manifestou disponibilidade para articular estas questões dentro do Governo.































