A Associação Académica de Coimbra (AAC) apresentou esta segunda-feira (29) o “Manifesto Jovem da AAC para as eleições presidenciais de 2026”, um documento que reúne aquelas que a organização estudantil considera as principais preocupações da juventude portuguesa, deixando recomendações diretas aos 11 candidatos que concorrem ao Palácio de Belém.
O manifesto, que será oficialmente lançado no início da campanha eleitoral (a 4 de janeiro), abrange seis áreas-chave:
- juventude, democracia e participação;
- ensino superior, ciência e tecnologia;
- habitação;
- empregabilidade;
- saúde mental e bem-estar;
- clima e sustentabilidade.
O presidente da AAC, José Machado, sublinhou que o documento pretende “expor inequivocamente a todos os candidatos presidenciais as principais recomendações da Associação Académica de Coimbra para um Portugal com Futuro”. É na crítica à forma como os jovens são (ou não) ouvidos que o tom se torna mais incisivo.
Em nota enviada aos jornalistas, José Machado afirmou que o que realmente preocupa a associação “é o modo como a voz estudantil e a voz jovem é integrada nas decisões”.
“Queremos que a nossa voz seja integrada nas decisões, ou seja, que não seja apenas tida em conta como algo consultivo, algo meramente cumpridor de formalidades, mas que se transponha para a realidade e que faça jus àquilo que é a nossa própria contribuição. Esse é o objetivo deste documento”, declarou o líder da AAC.
Também o vice-presidente, António Lopes, reforçou que o manifesto “diagnostica, analisa e descreve quais as preocupações e expectativas da comunidade jovem em Portugal e não somente no espaço universitário de Coimbra”.
Entre os problemas apontados destacam-se a crise habitacional, o subfinanciamento da ciência, o “fraco cumprimento” do Plano Nacional de Alojamento ao Ensino Superior e, sobretudo, a empregabilidade.
“A geração mais qualificada de sempre enfrenta também, continuamente, fracas condições de atratividade laboral que provocam forçosamente emigração para o estrangeiro”, alertou António Lopes.
A AAC pretende entregar o manifesto a todos os candidatos – de André Ventura a António José Seguro, passando por Gouveia e Melo, Catarina Martins ou Cotrim de Figueiredo – e reunir-se com eles fora do espaço da associação, transmitindo esses encontros em formato digital para chegar a mais jovens.
Com esta iniciativa, a Académica de Coimbra quer não só iniciar debates sobre os temas do manifesto, como combater o “desinteresse jovem pelo sistema político” e a “fraca condição política atualmente existente”. As eleições presidenciais realizam-se a 18 de janeiro de 2026, com um número recorde de 11 candidaturas em disputa. A campanha oficial decorre entre 4 e 16 de janeiro.


































