Dois anos depois da tragédia que vitimou três bombeiros da corporação de Vila Nova de Oliveirinha no combate a um incêndio em Vila do Mato, no concelho de Tábua, a Associação Humanitária voltou esta manhã ao local onde Sónia, Susana e Paulo perderam a vida em missão de socorro.
A singela cerimónia decorreu precisamente à hora e no local do acidente, reunindo elementos da corporação de Vila Nova de Oliveirinha e de outras corporações da região, familiares e amigos dos três bombeiros, bem como representantes do Município de Tábua e da Junta de Freguesia de Midões. Junto ao memorial em granito ali colocado há um ano, onde estão esculpidos os rostos dos três operacionais e gravadas mensagens das respetivas famílias, foi depositada uma coroa de flores em homenagem aos três heróis.
O presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Oliveirinha, Vítor Melo, reconheceu que, apesar da passagem do tempo, a dor continua tão presente como no dia em que a corporação recebeu a notícia da morte dos seus camaradas. “O sentimento é como se fosse o primeiro dia, é como se fosse aquele dia que eu e o comandante chegámos aqui e deparámos com a realidade, que não podíamos acreditar”, afirmou, considerando que “são dois anos de muita dor e muito sofrimento“.”Os bombeiros de Oliveirinha são uma família e, quando assim é, o sentimento ainda agrava”, disse.
Segundo o dirigente, a ausência dos três operacionais continua a fazer-se sentir no quotidiano da associação, até porque “participavam ativamente na vida da instituição”.
Vítor Melo destacou ainda o significado especial do local escolhido para a homenagem. “As suas almas partiram aqui neste local. Foi aqui que elas partiram e nós temos o dever e a obrigação de prestar esta singela homenagem”, referiu, lembrando que, ao longo do ano, são muitos os que regressam individualmente ao memorial para prestar tributo. Ainda assim, sublinhou a importância do momento coletivo vivido nesta data. “Neste dia, a esta hora, vimos cá para, entre todos, fazer este elo, partilhar a dor e não deixar cair no esquecimento este dia“, explicou. Para a associação, o 17 de setembro ficará para sempre marcado na sua história, um “dia com simbolismo, não só da dedicação e da perda, mas de honra e glória aos bombeiros que partiram em combate”.
Questionado sobre a forma como a corporação tem enfrentado estes dois anos de luto, Vítor Melo admitiu que o primeiro ano foi particularmente difícil. Explicou que, gradualmente, a corporação foi retomando a normalidade possível, sem nunca esquecer aqueles que perdeu.
“A dor está cá, porque a perda é inevitável e irreparável. Agora, nós, enquanto associação de bombeiros, temos uma missão a cumprir, que é a prestação de socorro a bens e pessoas, e isso inevitavelmente temos que fazê-lo da melhor forma possível, o mais profissional possível”.
Para o presidente da associação, a tragédia acabou por fortalecer a determinação dos bombeiros de Vila Nova de Oliveirinha. “Nós já passámos por tanto, tanto, tanto, que só nos cria mais resiliência e mais vontade de fazer mais e melhor”, concluiu.





































