A propósito do seu falecimento, nesta sexta-feira (30), a Rádio Boa Nova presta homenagem a Tó Guilherme, que foi também colaborador desta estação, recuperando e reproduzindo, em podcast e no FM, este domingo (1 de fevereiro) pelas 14h00, a entrevista feita por Vítor Neves em 21 de maio de 2011, no programa “25 Anos, 25 Nomes”.
A estação decidiu republicar a entrevista emitida originalmente em 2011, um testemunho de dor, mas também de esperança e alegria, agora revisitado após a morte daquele que descrevia o quartel dos bombeiros como a sua “segunda família”.
No programa gravado há quase 15 anos, Guilherme recordava a rutura súbita que marcou a sua vida: “O momento mais feliz da minha vida foi antes de ter o acidente… A partir daí, tudo mudou.” Ainda assim, dizia nunca ter perdido a ligação ao voluntariado: “Ser bombeiro foi onde fui mais feliz. A partir de ter o acidente, continuei a ser feliz.”
A entrevista expunha também a dimensão humana de quem, em pouco mais de um ano, viu ruir todos os pilares da sua existência. Antes do acidente, António Guilherme perdera a mãe num trágico incidente doméstico. “Um homem que, em pouco mais de um ano, perdeu a mãe e perdeu a mobilidade…”, introduzia o entrevistador. E Guilherme admitia: “Por que é que hei-de ser eu?”.
A perda da autonomia, dizia, foi devastadora: “Quando a gente se apanha na nossa pele… ter de nos dar a comer à boca… é muito difícil.” Ainda assim, mantinha uma energia reconhecida por todos e assumia-se sempre disponível para ajudar: “Tudo o que me pedem para ajudar os outros, estou sempre disposto.”
Quando interrogado sobre como gostaria de ser lembrado, o agora homenageado respondia com desarmante humildade: “Acho que nem gostava de ser recordado. Apenas só lembrado… Partiu o rapaz que anda na rua de cadeira de rodas, paz aos outros.”
A reposição do episódio de 21 de maio de 2011 teve transmissão este domingo (1) na Rádio Boa Nova e fica eternizada em formato podcast, numa homenagem à resiliência, ao voluntariado e à humanidade de Tó Guilherme — um homem que, mesmo limitado fisicamente, assume nunca ter deixado de “bater forte” por dentro quando ouvia a sirene dos bombeiros.






























