A chegada a Portugal dos fumos provenientes dos grandes incêndios que lavram em Espanha e que estão a afetar também a região e o concelho de Oliveira do Hospital representa um risco acrescido para a saúde pública, sobretudo para os grupos mais vulneráveis. O alerta é deixado por Rui Pedro Loureiro, coordenador da Unidade de Saúde Familiar Terras D’Ulvária, em declarações à Rádio Boa Nova.
O médico explica que “a exposição à inalação do fumo de incêndios florestais pode provocar alterações respiratórias, cardíacas, neurológicas ou oftalmológicas”, alterações que surgem, sobretudo, devido à irritação provocada pelos componentes químicos presentes no fumo.
Segundo Rui Pedro Loureiro, os idosos, as crianças, as grávidas e as pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias, como asma, doença pulmonar obstrutiva crónica ou bronquite, constituem os grupos com maior risco de desenvolver complicações. Ainda assim, sublinha que “mesmo as pessoas saudáveis podem apresentar sintomas e precisar de tratamento, uma vez que o risco por inalação do fumo varia de acordo com o nível e a duração da exposição, a idade da pessoa e a sensibilidade individual de cada um”.
Perante este cenário, o coordenador da USF Terras D’Ulvária recomenda que a população minimize a exposição ao fumo. “É fundamental evitar a exposição a estes fumos”, afirma, aconselhando a permanência no interior das habitações, “com as janelas e as portas fechadas e ambiente fresco”. Sempre que possível, recomenda ainda a utilização do ar condicionado em modo de recirculação.
Quando for inevitável sair de casa, Rui Pedro Loureiro aconselha a utilização de máscara e sugere que as atividades no exterior sejam realizadas preferencialmente nas primeiras horas da manhã, quando a concentração de fumos tende a ser menor.
O médico lembra também a importância de manter a medicação habitual, sobretudo para quem sofre de doenças respiratórias, seguir as indicações do médico assistente caso haja agravamento dos sintomas e garantir uma boa hidratação.
Além da presença dos fumos, Rui Pedro Loureiro alerta para a previsão de temperaturas elevadas nos próximos dias. “Associado a este fumo dos incêndios, vamos ter uma frente de calor. Daí ser fundamental resguardar-se”, refere. O especialista reforça a necessidade de permanecer em locais frescos e de “hidratar-se bem, beber bastante água principalmente”.
Em caso de agravamento do estado de saúde, aconselha a população a contactar o SNS 24 ou a respetiva equipa de saúde. “Em situações graves, deve ligar o INEM em caso de emergência”, conclui.
































