“Para mim é muito importante falar o português.” A afirmação é de Elles, uma das formandas que concluiu o curso de Português Língua de Acolhimento (PLA) promovido pelo Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Residente em São Sebastião da Feira, explicou à Rádio Boa Nova que decidiu frequentar a formação para conseguir comunicar melhor com os vizinhos e amigos da localidade, onde vive.
Também Marianne, residente em Santa Ovaia há cinco anos, considera que aprender a língua é essencial para a integração. “Eu moro aqui cinco anos e eu quero falar português muito bem. A língua é muito difícil e praticar é muito, muito importante”, afirmou, garantindo que pretende continuar a frequentar os níveis seguintes do curso. Questionadas sobre o que as levou a escolher Oliveira do Hospital para viver, as duas não hesitaram. “É muito bom aqui”, disse Elas. “Devido à gastronomia, turismo, cultura e muitas coisas. E a vida é melhor”, referiu Marianne. As duas amigas são oriundas dos Países Baixos.
As declarações foram prestadas, na passada terça-feira, durante a cerimónia de entrega de certificados aos formandos que concluíram os diferentes níveis do curso de Português Língua de Acolhimento, promovido pelo Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital.
Este ano foram entregues 94 certificados, num universo de 126 inscritos, o maior número de sempre desde que esta oferta formativa existe. A formação contempla os níveis A1, A2, B1 e B2 e decorre ao longo de cerca de um ano letivo, entre outubro e junho, com sessões semanais.
A responsável explicou que este ano passaram pela formação cidadãos de 26 nacionalidades diferentes. “Tivemos aqui vinte e seis nacionalidades, tão distantes como Colômbia, Austrália, muitos países europeus, França, Países Baixos, Noruega, Alemanha, Inglaterra, Escócia, também temos da Rússia, da Ucrânia, de Israel, dos Estados Unidos, do Canadá”, exemplificou.
A subdiretora do Agrupamento e responsável pelo Centro Qualifica, Cristina Borges, sublinhou que o aumento da procura demonstra a importância da iniciativa. “Este ano atingimos aqui o número máximo. Nós tínhamos 126 inscritos e temos noventa e quatro certificados”, revelou, explicando que os formandos representam 26 nacionalidades.

Segundo Cristina Borges, os participantes procuram a formação por diferentes motivos. Alguns são reformados que escolheram viver na região e pretendem integrar-se melhor na comunidade, enquanto outros necessitam da certificação para efeitos de trabalho ou regularização da permanência em Portugal. “É o nosso contributo também para a integração destas pessoas, porque de facto a nossa sociedade pode ser mais rica se estas pessoas também forem mais ativas e mais dinâmicas na sociedade. Teremos muito a ganhar com o conhecimento que elas também podem trazer para as nossas comunidades”, destacou.
O diretor do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital, Carlos Carvalheira, salientou igualmente o papel da escola na integração da população estrangeira. Atualmente funcionam sete grupos de Português Língua de Acolhimento, um deles na Escola da Cordinha, abrangendo mais de uma centena de adultos.
“É importante o agrupamento intervir também nesta área, porque permite a estes adultos estrangeiros mais facilmente integrar-se na nossa comunidade”, afirmou, recordando que a realidade demográfica do concelho se alterou nos últimos anos, com a chegada de cidadãos de vários países.
Os cursos decorrem em horário pós-laboral, entre as 18h00 e as 22h00, permitindo conciliar a aprendizagem da língua com a atividade profissional dos participantes. Carlos Carvalheira garantiu que a aposta terá continuidade. “É um orgulho imenso, enquanto diretor, poder ter esta valência no agrupamento. É uma forma de integração na comunidade”, concluiu.
“No nosso território são e serão sempre muito bem vindos”, afirmou também a vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. Diante de uma plateia composta por cidadãos de várias nacionalidades, Luísa Correia, desafiou o grupo a “construir” o seu futuro em Oliveira do Hospital, na certeza de que “a comunidade de Oliveira do Hospital é mais forte quando integra no seu seio a diversidade de nacionalidades e cultural”.




































